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Vivemos o final da era PT?

07/10/2011

Sem nenhuma publicidade os metalúrgicos do ABC fizeram uma manifestação que fechou as cinco pistas locais da Anchieta. Sua reivindicação não era aumento de salários nem melhores condições de trabalho. Tanto a CUT como a Força Sindical organizaram o protesto. A reclamação era sobre a política cambial adotada pelos governo. Os trabalhadores reivindicam uma audiência com a presidenta Dilma para encontrar soluções para a desindustrialização no Brasil, que cada vez mais importa veículos, principalmente da China e da Índia, desempregando milhares de trabalhadores brasileiros (acesse a notícia no G1).

Não pensem que, com a minha constatação, estou anunciando minha adesão ao liberalismo (neo-liberalismo) ou arrependimento pelo meu voto. Pelo contrário. Não seria interessante este retrocesso, mas um avanço nas conquistas obtidas com a eleição de Lula e Dilma, que evidentemente apresentaram avanços no campo social e deram a oportunidade dos trabalhadores conseguirem empregos. Mal remunerados e com tremenda rotatividade, mas empregados. E é aqui que necessitamos avançar.

Para que Lula se elegesse e se mantivesse no poder, foram necessárias (e eu diria que foi imprescindível) alianças com as forças da velha oligarquia econômica existente nestas paragens desde sempre. Estas alianças impedem maiores avanços sociais. Principalmente novas conquistas trabalhistas.

A única coisa que mudou no governo PT foi o fortalecimento e a formação de grandes e hegemônicas centrais sindicais que não só apoiam o governo como participam dele numa relação fisiológica que foge às finalidades basilares do sindicalismo, para alegria das mesmas oligarquias econômicas que se preocupam com o lucro e não com a saúde econômica da sociedade brasileira. Prova disso é a falta de garantias de emprego hoje existente.

A convenção 158 da OIT, que proíbe a demissão de um trabalhador, “a menos que exista para isto uma causa justificada relacionada com sua capacidade ou seu comportamento baseada nas necessidades de funcionamento da empresa, estabelecimento ou serviço” (artigo 4º). da qual o Brasil foi signatário, foi denunciada pelo governo FHC mas não voltou a vigorar no governo Lula. Assim como não será no governo Dilma.

Não temos desemprego, mas temos uma situação de falta de garantias de emprego. A rotatividade é utilizada amplamente assim como a subcontratação, da qual as empresas e órgãos do próprio governo lançam mão para reduzir garantias de estabilidade, benefícios e pagamento do justo valor do trabalho nas relações trabalhistas. E as centrais sindicais nada fazem para combater esta situação. Pelo contrário, participam do governo e o apoiam irrestritamente justamente por isso. E não vejo como possa ser alterada a situação no governo Dilma, constituído de alianças que reúnem tendências diversificadas em uma relação fisiológica que esgarça um tecido que se torna cada vez mais frágil.

Vemos acontecer em várias partes do mundo, com exemplos recentes na Europa da retomada do poder pelas forças de direita. Diz o ditado popular que não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe. A era PT tende acabar. É necessário que os trabalhadores e as forças da sociedade busquem uma alternativa que garanta a continuidade dos avanços trabalhistas e sociais sob pena de um retrocesso, um retorno a uma política liberal que não será boa para os trabalhadores nem para a sociedade.

Sobre o assunto, veja artigo escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader no “Correio da Cidadania“.

 

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From → Sociedade

One Comment
  1. Oi Erick,
    Eu não sou tão afirmativa quanto você.
    Creio que o PT ainda tem um médio período de vida.
    A conjuntura é dinâmica e as forças políticas que movem o mundo, dialéticas.
    A prova é que o PRI esta anunciando o seu retorno, e com apoio popular.
    Um abração.

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