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Há 383 anos houve no Brasil o genocídio do Guaíra

01/30/2011

Quando hoje falamos em Raposo Tavares, vem à mente dos paulistas a estrada que liga São Paulo à Presidente Epitácio, fronteira com Mato Grosso do Sul. Virá à nossa mente também um bandeirante que a história oficial nos apresenta como herói que conquistou e expandiu o território brasileiro, tomando posse de terras selvagens e florestas desabitadas e cheias de riquezas, pronta para serem exploradas. Aqui a afirmação carece de exatidão. Não eram terras selvagens nem florestas desabitadas prontos para serem ocupados e explorados.

 

Não era assim. Existiam nações e povos com cultura e costumes próprios. Os Guaranis, uma nação, ocupava os territórios que hoje formam o Estado do Paraná, Paraguai e Bolívia eram um destes povos. E o episódio ao qual me refiro, tinha como cenário a região compreendida entre os rios Paranapanema, Tibagi e Ivaí. Região que hoje constitui o oeste do Paraná. Próspera e fecunda, explorada pelo povo que ali habitava. Existem relatos sobre as numerosas nações com orientações políticas diferentes embora com uma mesma matriz cultural.

Portugueses e Espanhóis avançavam por este território rumo ao Paraguai e ao Peru à procura de riquezas minerais, particularmente ouro e para fazer escravos às populações conquistadas. Mas não era uma ação pacífica, pois os povos nativos não se submetiam facilmente. Temos o relato que Hernán Arias de Saavedra, em 1601 foi derrotado pelos povos que pretendia conquistar. Por outro lado, tínhamos os padres jesuítas, que pretendiam converter ao cristianismo os habitantes que, evidentemente, tinham outra religião, considerada pelos cristãos como bárbaras e tentavam impor a religião cristã aos conquistados, muitas das vezes resultando em sincretismos, como aconteceu, por exemplo, na Bolívia.

Temos assim, interesses conflitantes. De um lado os índios, habitantes nativos que queriam defender seu território, mas desunidos em várias nações que viviam em conflito entre si. De outro lado, os espanhóis, cujo Tratado de Tordesilhas lhes dava “direito” aos territórios que tentavam explorar para extração de minerais e aprisionamento de escravos. Os portugueses avançavam com a mesma intenção dos espanhóis. Finalmente os padres, que pretendiam conquistar os povos através da subversão de seus costumes em nome da religião.

Os nativos passaram a fazer alianças com um dos lados tentando defender seus interesses através destas alianças que lhes trouxeram prejuízos e, finalmente, ocasionou seu extermínio.

Em 1628, Manuel Preto, acompanhado de Raposo Tavares, avançaram contra as missões e contra os povos nativos em um genocídio espetacular, com intenção de conquistar escravos.

Foi relatado pelo padre Antonio Ruiz de Montoya, padre Lourenço de Mendonça e Manuel Juan Morales, um comerciante espanhol, a destruição de onze a quatorze missões religiosas, cada qual com 3 a 5 mil habitantes, o que significa o genocídio de 33 a 60 mil pessoas, cujos sobreviventes que foram levados como escravos a São Paulo.

Como vemos os bandeirantes não eram heróis retratados pela nossa história “oficial”. Eram sim, ferozes assassinos, estupradores e seqüestradores que visavam tão somente o comércio de seres humanos sem nenhuma piedade para com as suas vítimas.

Fonte: Brasil CulturaAmpulhetta

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From → Sociedade

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