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Brasil e Israel paz ou divisas?

03/14/2010

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou hoje que o anúncio da construção de 1.600 casas para judeus em Jerusalém Oriental, feito durante a visita do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, não deveria ter acontecido.

“Foi um incidente lamentável feito de boa fé”, afirmou Netanyahu no início da reunião semanal do conselho de ministros, na qual anunciou medidas para evitar que incidentes similares se repitam.

O chefe de Governo israelense definiu a situação atual com os EUA, seu principal aliado, como “crise” e pediu seriedade para enfrentá-la.

Assim, Netanyahu se desculpava novamente pelo anúncio de ampliação da colônia judaica de Ramat Shlomo, em Jerusalém Oriental, feito na terça-feira passada em plena visita de Biden e um dia depois de a Casa Branca confirmar o início de negociações indiretas entre israelenses e palestinos.

O primeiro-ministro israelense convocou ontem à noite uma reunião de urgência com seus seis principais ministros e pediu hoje ao Gabinete que não fale em público sobre a crise.

Netanyahu deixou claro que os dois países têm interesses comuns, mas que seu Governo atuará de acordo com o que é necessário para Israel.

Fonte: Agência EFE

Netanyahu é membro do partido Likud, partido político que congrega a direita liberal nacionalista e conservadora, sendo considerado um partido sionista. Durante a visita do vice-presidente dos Estados Unidos, nas negociações indiretas entre israelenses e palestinos, foi anunciada a construção de mais 1.600 casas em Jerusalém Oriental, forçando os palestinos a abandonarem as negociações de paz mantidas indiretamente com Israel. Os palestinos cancelaram, nesta semana, a retomada do diálogo indireto com Israel em protesto pelo anúncio de uma colônia judia em Jerusalém Oriental, disse à agência Efe o chefe negociador palestino, Saeb Erekat.

São os conservadores israelenses sionistas que forçam uma reação dos palestinos quando se propõem, em plena negociação indireta de paz com Israel, a ampliar a ocupação das áreas em litígio. E esta questão remonta à criação do Estado de Israel.

Em 1948 a ONU propôs e aprovou a partilha da Palestina. Haveria um Estado Árabe que ocuparia 43% do território e um Estado judeu-sionista ocuparia 56% ficando Jerusalém sob intervenção da própria ONU.

Sion é um dos nomes bíblicos de Jerusalém, chamado de Al-Quds para os árabes e muçulmanos para os quais Jerusalém também é uma cidade sagrada. O termo “sionismo” foi  criado por uma corrente que defendia um Estado de Israel laico, já que a reunificação, pelos conceitos  religiosos, só seria possível após a vinda do Messias – os judeus não consideram Jesus como o Messias. Assim, o termo era utilizado pelos que defendiam a criação de um Estado que reunisse e abrigasse os judeus espalhados pelo mundo em diversas nações, sempre perseguidos e espoliados. Principalmente pelos cristãos, que criaram uma série de subterfúgio para espoliá-los de seus bens, como a Santa Inquisição.

Nossos conceitos de direita como um estado conservador e esquerda como um estado voltado às causas sociais fica um pouco embaralhado no caso dos judeus, pois lá temos a questão dos judeus ortodoxos e dos progressistas. Os primeiros, ligados a um estado teocrático, em tese deveriam ser contra um Estado de Israel, uma vez que não foi instituído pelo Messias, enquanto que os progressistas, laicos, defenderiam a idéia de um Estado soberano e atual. Mas não é isto o que se verifica na prática, pois a ortodoxia é beligerante e favorável à conquista pela força, enquanto existem os favoráveis ao diálogo com seus vizinhos dentro de uma linha de pensamento mais flexível e voltada às causas sociais.

Como vemos, a administração israelense é conservadora e a favor da ocupação dos territórios da faixa de Gaza. Tanto é assim que Natnyahu foi ministro das Finanças de Israel até 9 de agosto de 2005, quando renunciou em protesto contra o Plano de desocupação da Faixa de Gaza, defendido pelo primeiro-ministro Ariel Sharon. Retomou a liderança do Likud em 20 de Dezembro de 2005. Em dezembro de 2006, tornou-se líder oficial da oposição na Knesset e presidente do seu partido.

E é neste clima que Lula desembarca no Oriente Médio, com a imprensa brasileira, como de costume, torcendo para que nada dê certo. Lula, como todos os brasileiros, não tomam partido nem de um, nem de outro lado já que temos, no Brasil, a convivência pacífica de árabes e judeus com suas mesquitas e sinagogas quase que lado a lado.

As posições que o Brasil defenderá junto ao governo de Israel será a criação de um Estado palestino e a condenação das construções em território palestino. Além disso, investimentos milionários deverão ser tratados por ministros e empresários que acompanharão Lula na primeira viagem de um presidente do Brasil a Jerusalém e a segunda de um chefe de Estado brasileiro – D. Pedro II visitou a Terra Santa.

Pessoalmente – embora torça pela paz – não acredito que Lula seja capaz de convencer o governo israelense considerando a posição política do atual governo. De qualquer forma, não custa tentar, não é mesmo? Se não conseguir a paz, que pelo menos traga para o Brasil novas fontes de divisas.

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From → Sociedade

2 Comentários
  1. LISONN permalink

    Que Post Fascinate!
    AMIGO ERICK
    Confesso que sou um leigo nessa materia. Agora, o importante é que aprendi um pouquinho sobre tão importante fato…E igual a você, fico torcendo para que a visita do senhor Presidente Lula, trancorra na santa Paz!
    Parabéns por mais um excelente artigo!
    Abraços,
    LISON.

    • erickfigueiredo permalink

      Obrigado pela visita e pelo teu comentário, Lison. Abraços.

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