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Altercom e o futuro das comunicações

03/04/2010

Em abril do ano passado, foi convocada, através de decreto presidencial, a primeira Conferência Nacional da Comunicação – Confecom. Nesta conferência realizada no mês de dezembro, em Brasília, foi discutida a política da comunicação no Brasil. Todos sabemos que nossa comunicação é deficiente. Umas poucas empresas dominam o setor, tornando deficiente a divulgação, que se encontra nas mãos de poucos poderosos que se tornaram o que são, graças ao apoio e à contraprestação do apoio dado à ditadura militar e que se tornaram o cartel da verdade.

Algumas entidades, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que embora se apresentem publicamente como representantes do conjunto de jornais, revistas e concessionários do serviço público de radiodifusão, têm atuado, sobretudo, na defesa dos velhos interesses dos poucos atores dominantes na mídia brasileira – vale dizer, das Organizações Globo, dos grupos Folha, Estado e Abril e de seus parceiros e por isso mesmo atuaram contra a conferência por se mostrarem pouco dispostas ao progresso e democratização das comunicações no Brasil. Por isso pouco ou nada repercutiram o fato e por isso pretendem derrubar o governo, se tornando um verdadeiro partido político que defende a falta de diversidade na difusão dos fatos com a manutenção de uma política centralizadora das informações que, na ditadura se justificava pela maior facilidade na manipulação das notícias. Este partido é chamado de Partido da Imprensa Golpista – PIG (Porco, em inglês).

No dia 27 de fevereiro último, se contrapondo às entidades que pretendem se apoderar das notícias, dos fatos e, por conseqüência, da verdade, surgiu a Altercom – Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação, cujo objetivo central é defender os interesses políticos e econômicos das empresas e empreendedores de comunicação comprometidos com os princípios da democratização do acesso à comunicação, da pluralidade e da liberdade de expressão. A sua atuação se dará também na regulamentação mais justa e clara das verbas públicas de publicidade, de modo a estimular a diversidade de opiniões existente na sociedade brasileira. Além disso, procurará articular pequenos e médios empresários e empreendedores do setor para disputar também parte da verba dos anunciantes privados. A Altercom pretende ainda abrir espaço para centenas de empreendedores individuais – a maioria deles blogueiros – que surgiram nos últimos anos no Brasil. Nomes como Luiz Carlos Azenha (Vi o Mundo), Rodrigo Vianna (Escrevinhador), Marcelo Salles (Fazendo Media), Eduardo Guimarães (Cidadania.com) e Marco Aurélio Weissheimer (RS Urgente). Blogueiros de todo o país serão convidados a participar da entidade.

As velhas e ultrapassadas empresas de comunicação são defendidas por alguns blogueiros entreguistas favoráveis à centralização do poder econômico e à falta de atuação do Estado como regulador das relações econômicas e sociais pregadas pelo néoliberalismo. Estes divulgadores, por menores que sejam, deveriam rever suas posições e aderir a este movimento que é irreversível. Associações e comunidades de divulgação devem lutar por seus direitos. Lutar a favor das grandes corporações não tem sentido, pois esta luta exterminará, mais cedo ou mais tarde, o direito de veiculação de notícias e opiniões, por outro meio que não sejam eles próprios, pois o PIG se reserva o direito de dominar a opinião pública e a manipulação de notícias.

Coincidentemente, enquanto a Altercom estava sendo criada no Brasil, nos Estados Unidos, o Media Consortium – a rede da “mídia progressista e independente” – promovia um encontro para discutir problemas e perspectivas, em Nova York, nos dias 25 e 26 de fevereiro.

Duas militantes da “mídia progressista e independente”, Tracy Van Slyke e Jessica Clark, acabam de lançar pela New Press, o livro “Beyond the Echo Chamber: Reshaping Politics Through Networked Progressive Media” (Para além da caixa de ressonância: redesenhando a política através das redes progressistas de mídia), que faz uma avaliação otimista da nova mídia como alternativa à mídia tradicional e corporativa.

Como se vê, não é só entre nós que empresários e empreendedores da nova mídia se organizam e lutam para ter seu papel reconhecido e articular sua luta pelo direito à comunicação numa sociedade mais justa e democrática.

Veja mais em

“Observatório do Direito à Comunicação”

Carta Maior

Correio da Cidadania

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From → Sociedade

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