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DEM – a decadência de uma agremiação ultrapassada

02/21/2010
Existem algumas associações civis de homens de negócio e profissionais liberais, onde existe o congraçamento de seus membros em uma espécie de fraternidade e que se dedicam também a algumas obras assistenciais de caráter social. Podemos citar o Lions Club, o Rotary Club e o DEM. – Opa! O DEM não é um partido político? – Depende da forma de ver.

O DEM é sucessor do PFL, que é sucessor do PDS, que é sucessor da ARENA. Trata-se de um partido de direita com orientação liberal – ou neoliberal – onde se sentem muito bem empresários e os profissionais liberais por eles contratados e que lhes prestam serviços e comungam seus princípios. Ao contrário dos outros, não se caracteriza por “partido” nem é formada por um acrônimo, ou junção de letras. Se não se denomina partido, podemos concluir que pode ser calssificado como uma associação civil, por exemplo.

Embora esteja diminuindo sua representatividade no nordeste, lá está as suas raízes. Seu principal representante era Antonio Carlos Magalhães, poderoso empresário baiano. Houveram outros nomes nordestinos e o próprio José Sarney foi seu representante, tendo passado para o PMDB em 2007. Seus representantes são os remanescentes do “coronelismo”. E os nordestinos mais antigos se lembram bem desta figura do “coronel”, que ao contrário do que se possa pensar, não eram pessoas más nem impopulares. Pelo contrário: eram pessoas muito populares e solícitas, sempre prontas a “ajudar” e a fazer o bem. Ricos proprietários, os coronéis eram pessoas que praticavam o assistencialismo, não medindo esforços para socorrer seus liderados. O que não se podia admitir era insubordinação. Nestes casos de insubordinação, de falta de respeito, de desacato, eram muito rígidos, não admitindo tais desvios de caráter. Mas bastava reconhecer o “direito” dos patrões para ser bem tratado e socorrido nas horas de “precisão”. Este perfil se encaixava muito bem no modelo existente no Brasil. É o princípio da subordinação que norteou o Brasil por muito tempo, pois se formos ouvir todas as camadas sociais, teremos o cáos. Esta visão quase militar, se encaixava muito bem nos tempos do governo militar, que impunha a ordem no país através de uma rígida hierarquia.

Nos tempos do governo militar e até um pouco depois, notava-se a proteção, através da reserva de mercado, da indústria nacional. Tínhamos péssimos produtos e serviços nacionais já que a importação de bens e serviços ou era proibida, ou dificultada atrvés de pesados tributos. Carros horríveis, computadores sofríveis, produtos de péssima qualidade e serviços que desrespeitavam o consumidor. Tudo isto perdurou até o governo Collor, que tomou a iniciativa de abrir a economia. Esta iniciativa causou furor e trouxe à tona as “maracutaias” do poder. Collor foi cassado mas a abertura do mercado ficou. Não havia clima para se instalar de novo um governo militar. E Itamar Franco assumiu, sendo sucedido por Fernando Henrique.

O PFL se aliou ao PSDB e ditou a política a ser seguida. Seguindo o modelo de Margareth Tatcher, que propunha a redução gradativa do poder do Estado, com a diminuição generalizada de tributos, a privatização das empresas estatais e redução do poder do Estado de fixar ou autorizar preços. Pulou-se o pedaço da diminuição generalizada de tributos, que ficou para mais tarde e adotou-se o restante. Era a garantia da reserva se não de todo o mercado, pelo menos de uma parte dele através do domínio de áreas estratégicas. No modelo proposto, o Estado fica refém da iniciativa privada em setores essenciais e estratégicos. Para justificar a privatização, o modo de atuação é a falta de investimentos em um determinado setor tornando-o ineficiente e sua posterior entrega à iniciativa privada por valores inferiores ao de mercado porque a falta de investimentos acarreta sua sub valorização. O investimento, quando feito, será objeto de cláusula contratual onde o Estado capacita a empresa para a exploração pelo ganhador da concorrência.

O que vemos, na verdade, é o monopólio privado que visa lucro a qualquer custo, sem preocupação com a sociedade. E, neste modelo, para conseguir as benesses do Estado, apelam para a conivência do poder público para, com a maximização de seus lucros através de uma reserva de mercado, possa ser garantida pela falta de concorrência.

A iniciativa privada investe pesamente em propaganda e em “doações” de campanha para manter seus privilégios. E tudo isto tem a ver com o DEM, formado por empresários e agenciadores – lobistas – de empresas nacionais e estrangeiras, que se unem à vertente do PSDB paulista, representado por FHC e José Serra e seus correligionários, investindo nestes políticos para que suas empresas possam obter os maiores lucros com baixa performace.

Por isso detestam o governo do PT ou de outros partidos que tenham uma política totalmente avessa a este tipo de orientação, como PSB ou PCdoB, que defendem a presença do Estado em setores essenciais como regulador para não ficar à mencê do capital dos empresários. E isto vem de uma orientação que privilegia a sociedade e deixa a iniciativa privada entregue ao mercado e à livre concorrência que estabelecerá o sucesso do empresário pela escolha dos consumidores, com uma forte fiscalização das manobras que visem a reserva de mercado.

Quando se vê campanhas acirradas pregando o cáos e a desordem social a partir de partidos de orientação socialista, o que se pretende é trazer de volta as terorias neoliberais com ausência total do Estado na economia, privilegiando o empresariado incopetente e ineficaz, que pretende trazer de volta os bons tempos em que se produzia produtos de baixa qualidade a preços altos, maximizando o lucro.

Os bons empresários, voltados para o consumidor, que respeitam o mercado e produzem bons produtos a preços justos, só têm a ganhar com a ascenção economico financeira de classes antes de menor poder aquisitivo pois o mercado, embora mais competitivo, garante lucro certo aos empreendedores de visão. Estes empresários não pertencem a nenhum partido, pois não querem perder tempo com este tipo de agremiação que só pretende favorecer aos grandes. Eles querem é crescer e garantir a liberdade de mercado para que tenham chance de competir tanto internamente quanto no exterior. Podem pertencer ao Lions Club, podem ser rotarianos, mas nada de agremiações de cunho político que lute por reserva de mercado.

Quando juntamos o consumidor ávido pela aquisição de bens que lhe garantam conforto e satisfação com empresários de visão, temos a explicação sobre a decadência do DEM – uma partido ultrapassado e superado.

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From → Sociedade

10 Comentários
  1. Olá Erik, um ótimo post.

    Hojé observamos o comsumo até mesmo pela internet.
    Usuários procuram por bons conteúdos, e é evidente o crescimento de blogs e sites, com conteúdo legítimos e úteis.

    O comsumidor deseja bens que os satisfação, como você disse, os que não oferecem isso, só lhes restam a decadência.

    Parabéns pela bela aula de história.

  2. LISONN permalink

    Saudações!
    Que Post Fantástico!
    Amigo ERICK, o seu texto está impecavelmente bem estruturado, alicerçado em fatos incontestáveis e tem mais, concordo com toda a sua análise. E, ressalte-se, a história de quase todos os partidos no Brasil, é muito semelhante em muitas situações a retratada em tela.
    Gostaria de deixar registrado que não sou filiado a nenhum partido político e jamais votei no presidente atual, nem no que saiu e dificilmente voto nos candidatos que hoje se apresentam.
    Agora, com sinceridade, do fundo do coração, se você fosse um candidato eu votaria em você, ERICK, como posso votar no Francisco Castro, no Sérgio, no João Assis, João Batista, na Maria Souza, no Roberto, e noutros amigos aqui do diHITT.
    Parabéns por mais um excelente Post!
    Contagiou. Mexeu. Valeu.
    Abraços,
    LISON.

    • erickfigueiredo permalink

      Obrigado, Lison, mas vote apenas na notícia, pois não sou candidato a nada…
      Quanto aos demais citados por você, se forem candidatos e estiverem na minha zona eleitoral, certamente terão meus votos também.
      Abraços fortes.

  3. Concordo a decadência é total, de uns mais e de outros menos, mas a classe politica toda é decadente e isso é muito perigoso ….

  4. O DEM mudou tanto de nome que nem eles devem conhecer toda a história do partido. Levando em conta os nomes que passaram pelo partido, notamos que a idéia deles sempre foi se espalhar e dominar a política no Brasil.
    No início era fácil, primeiro com partido único, depois pelo sistema bipartidário, mas com o aumento desses partidos, ficou muito difícil se controlar, por mais que se espalhassem Paulo Maluf, José Sarney e companhia, acabaram se perdendo. O golpe final foi dado pela internet, fico impressionado desses políticos não ficarem horrorizados com a sua própria imagem exposta na mídia.

    • erickfigueiredo permalink

      Ainda bem que temos a internet, não é mesmo? Obrigado pelo comentário.

  5. Erick,

    Como disse lá em minha página, reitero. O Estado deve, sim, estar presente. Creio que ele seja o regulador de mercado. O ex-presidente do Fed disse uma frase decepcionante, mas que não deixa de ser a verdade: “Nós erramos”, após a crise econômica. O sistema neoliberal pode ser uma faca de dois gumes se pensarmos que o mercado é o regulador da economia. Estados Unidos é um caso à parte, por ser uma superpotência e ter um imenso arsenal na indústria da Defesa, mas um mercado autorregulador não deixa de ser a prática gananciosa do empresariado que só pensa em lucro.

    Agora, Erick, em relação aos DEMOcratas, só tenho a lamentar. Se o PMDB carece de linha ideológica, creio que para o DEM falta proposta e vergonha na cara. Esses são nossos partidos que formam a base governista. Me pego na pergunta: pra onde iremos?

    Abs,
    Tiago

    • erickfigueiredo permalink

      O importante é que no regime democrático sempre teremos opção e respostas à falta de linha ideológica e de propostas.
      Obrigado pelo comentário, Thiago.

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