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Wilson Simonal: o inocente pilantra – Ascenção e queda de um astro

02/14/2010

Quando escrevo meus artigos para meu blog, costumo fazer ouvindo música. Adoro o Brasil, seu povo, sua comida, e, não poderia deixar de gostar da música brasileira. Tirando alguns gêneros e artistas, gosto de quase tudo e seria difícil citar um artista ou gênero musical.

Enquanto navegava lendo e comentando artigos de meus amigos, escolhi um cantor eclético que me traz recordações da adolescência: Wilson Simonal. Voz potente e melodiosa, sempre figurou entre os meus favoritos. Simonal não tinha preconceitos e cantava de tudo. Talvez por isso, como Ney Matogrosso, Nelson Gonçalves, Emílio Santiago, Elimar Santos, Elis Regina e outros cantores ecléticos, Wilson Simonal seja um de meus favoritos, pois suas interpretações passam pelo samba, bossa nova e todos os tipos de música brasileira e algumas internacionais. Mas foi um artista “deletado” do cenário artístico. Recentemente foi publicado um livro sobre este controverso artista, que teve a fama de dedo-duro da ditadura, de informante do SNI. Acredito que poucos tenham vivido este período ou que se lembrem da história envolvendo Wison Simonal.

Rapaz pobre que alcançou o estrelato e ganhou bastante dinheiro com shows, venda de discos e até o seu boneco, o Mug que vendeu muito (tive um), iniciou sua carreira cantando em bailes do exército. Será que por isso ele se julgou também integrante da classe dominante no Brasil? Uma resposta nunca respondida que talvez nunca seja completamente explicada. As músicas que Simonal gravou eram inocentes e não comprometiam em nada o regime militar. Iam do “mamãe passou açúcar ni mim” até clássicos da música popular, como “Asa Branca”. Nada de música de protesto ou que falassem em conquistas sociais e liberdade, como era costume na época.

Era amigo de Miéle e Bôscoli. Chegou a gravar com Elis Regina. Sua voz e sua presença de palco garantiram o sucesso. De 1966 a 1967 foi apresentador de TV. Foi contratado pela Shell. Era sucesso absoluto. Um show man. E trafegava pelo meio artístico. Mas não era tão poderoso quanto imaginava.

Em 1971 Wilson Simonal sofreu um desfalque e desconfiou que o autor era o seu contador Raphael Vivani. E resolveu lhe dar uma lição bem ao estilo da ditadura. Seu contador foi agredido, segundo consta e, ao parece, segundo o próprio Simonal, foi quem afirmou que quem deu a surra no seu contador foram agentes do DOPS. Teria Simonal realmente contado esta história? Eu não ouvi isso, mas existe quem afirme que sim. Esta afirmação foi feita por inocência, por Simonal “se achar”? Isto não importa. O fato é que este contador era o contador de diversos atores e diretores da Globo e, revoltado com a postura de Simonal, acabou se aliando com o diretor João Carlos Magaldi, que detinha um poder enorme de comunicação (ele era exatamente o diretor da Central Globo de Comunicação) e juntos inventaram um boato terrível sobre Simonal visando especificamente destruir completamente a carreira do cantor. Ou seja, como eram os anos da ditadura e a Globo era o porta voz dessa ditadura, Magaldi inventou que Simonal era alcagüete, dedo duro, e que estaria dedurando grande parte da classe artística para a polícia. Era a revanche.

Houve um inquérito. E, durante o inquérito que apurava a surra Simonal foi acusado de ser informante do Dops. “O Pasquim” acusou-o de dedo duro, e esta versão teve ampla aceitação. Existia por parte da classe artística e intelectual brasileira uma aversão ao regime e nenhum intelectual ou artista popular da época admitia colaboracionistas do regime de então. Simonal ficou desmoralizado no meio artístico-intelectual e cultural da época, e sua carreira começou a declinar. Seus shows foram cancelados, seus discos quebrados e ele perdeu praticamente tudo que havia conseguido.

Nada provado. Tudo conjecturas. Wilson Simonal morreu negando as acusações e houve uma revisão em 2002, do processo envolvendo Wilson Simonal. Foram reunidos depoimentos de diversos artistas, além de um documento datado de 1999 em que o então secretário de Direitos Humanos, José Gregori, atestava que não havia evidências – fosse nos arquivos do Serviço Nacional de Informações (SNI) ou no Centro de Inteligência do Exército – de que Simonal houvesse agido como delator. Como resultado, o nome do músico foi reabilitado publicamente pela Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 2003.

Para mim tudo foi mais uma manobra da Globo para afastar uma pessoa que a incomodou. Eu sinto muito por tudo, pois para mim a “Velha Pilantragem”, a voz, a presença de palco de Wilson Simonal continua viva. Mesmo que tudo fosse verdade continuaria a ouvir, admirar, comprar discos e, se possível, ir a shows deste grande artista.

Fonte: Opinião e Notícia – Last.fm – Tribuna do Norte – Jornal do Brasil

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From → Sociedade

6 Comentários
  1. edson permalink

    Olá.
    Também sou grande admirador de Wilson Simonal, mas estou encontrando certa dificuldade em obter alguns materiais em áudio, removidos inexplicavelmente da Internet. Há, em particular, um show realizado durante a década de 70 na extinta TV Tupi, acho que o mesmo em que faz dueto com uma famosa cantora de Jazz, em que ele encanta cantando um samba de Carlos Lyra (“De conversa em conversa”), e outros mais como em 1976 cantando composições de Tom Jobim. Se puder me auxiliar, agradeço.
    Edson

  2. concordo com vocÊ.
    Acho engraçado que essas pessoas que ainda hoje criticam o Simonal pela suspeita de “contribuição ao regime” ainda frequentam a Globo e recebem anistias milionárias que são pagas por gente como eu, que nasceu depois dos anos de chumbo, mas que é penalizada pelas porcarias que os militares fizeram. Putz , por que o contribuinte de hoje, que nem se lembra de ditadura, tem que pagar a indenização milionária de Ziraldo e cia? Acho que se esses caras fossem realmente fiéis a algum tipo de ideologia, eles não estariam recendo milhões dos cofres públicos.
    ALém disso, deve haver um trilhão de verdadeiros caguetes que estão por aí na mídia e ninguém desconfia. O pobre do Simonal foi um bode expiatório.
    Essa gente tratou o Simonal como se ele tivesse sido um estuprador de criancinhas, só por que suspeitavam que ele tinha feito algo. Isso tudo é muito horrível.
    Eu pessoalmente prefiro ouvir Simonal a Chico Buarque e não estou nem aí se o cara era dedo-duro ou não. Essa esquerda festiva é foda, pois recebe indenizações milionárias, compra Apartamento em Higienópolis, vota na Direita, e depois fica posando de mártir.

    • erickfigueiredo permalink

      Também não é assim…

      • Ricardo permalink

        É sim irmão. É uma tremenda hipocrisia.
        Muitos cantores e atores que se diziam contra ditadura cantam, trabalham e tem as suas músicas tocadas na Nefasta TV Globo.
        Cuspiram no prato que hoje estão comendo e querem criticar o capitalismo e a ditadura.
        Fala Sério.

  3. macaco feliz permalink

    foda -se os militatres,que vão tudo pro inferno

  4. JOAQUIM DE A. COSTA permalink

    ALGUEM PODERIA ME DIZER,QUANTAS PESSOAS O SIMONAL DEDUROU. E COMO ELAS ESTÃO HOJE DEPOIS DE SEREM INTERROGADAS,PELA DITADURA MILITAR.

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