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Incompetência ou má fé?

02/08/2010

Em 1990 o FMI criou um conjunto de normas, conhecido como o Consenso de Washington, que defendia a privatização de todas as empresas estatais, indiscriminadamente, como uma fórmula que deveria acelerar o desenvolvimento econômico mundial. Era a teoria neoliberal, aceita como dogma até hoje pela ala do PSDB de FHC e Serra. No governo FHC houve uma avalanche de privatizações, entre elas a da Vale do Rio Doce.

A privatização da Vale foi executada de maneira irregular, já que a empresa foi vendida sem ter sido corretamente avaliada, que o Brasil abriu mão de sua soberania sobre reservas do estratégico minério de ferro – que durariam séculos – e que o assunto não foi democraticamente discutido com a população – em tese sua proprietária – além de considerarem a privatização, em si, desnecessária. O interessante é que alguns anos mais tarde – entre 2005 e 2006 – este mesmo ferro teve um aumento de 130%.

Na privatização da Vale do Rio Doce, houve o “sumiço” de 9,688 bilhões de toneladas em reservas de minério de ferro. No edital de venda da empresa (item 6.5.1), o Sistema Sul aparece com apenas 1,4 bilhão de toneladas, ou seja, 6,518 bilhões de toneladas a menos. A Vale informou à SEC que as reservas minerais do complexo de Carajás, situado no Pará, eram de 4,970 bilhões de toneladas. No edital, as reservas de Carajás foram estimadas em 1,8 bilhão de toneladas – 3,170 bilhões de toneladas a menos.

Manganês: Vale informou ainda à SEC, em maio de 1995, que suas reservas lavráveis, provadas e prováveis, de manganês eram de 65 milhões de toneladas.Em 28 de junho de 1996, depois de iniciado o processo de privatização, a MRDI avaliou as mesmas reservas em 26 milhões de toneladas. São 31 milhões de toneladas a menos.

Ouro: diferença de pelo menos R$ 406,4 milhões.

Titânio, nióbio, calcário, dolomito, fosfato, estanho/cassiterita, granito, zinco e grafita não foram avaliadas pela MRDI e, por isso, não entraram no edital como parte do patrimônio da Vale. Antes da privatização, a Vale recebeu concessões, por tempo indeterminado, para realizar pesquisas de lavra em cerca de 23 milhões de hectares do território brasileiro, área equivalente aos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte juntos. Essas concessões de lavra passaram à propriedade da Vale privatizada com “valor zero” – sem avaliação, na qualidade de meras “expectativas de direitos”. Isto sem falar nos minerais nucleares, também suprimidos da avaliação, feita por empresa ligada a participantes das empresas que adquiriram a Vale do Rio Doce.

Como se vê, o governo privatizante de FHC só causou danos à nação. Foram entregues reservas que correspondem a uma pequena fração dos lucros hoje auferidos.

Incompetência ou má fé? Ambos são desabonadores, pois foram entregues gratuitamente reservas pertencentes à nação.

Telefonia: a mais cara tarifa do mundo que não corresponde à qualidade dos serviços prestados.

Eletricidade: superfaturamento.

FHC se curvou aos interesses dos Estados Unidos, pois foi esta nação “amiga” que determinou a entrega de nossas riquezas a eles em troca de empréstimos de curto prazo pelo FMI.

Incompetência ou má fé?

Fonte: Wikipedia – CMI Brasil

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From → Sociedade

9 Comentários
  1. LUIZ ROBERTO VALENTE permalink

    SOU ADEPTO DO MERCADO LIVRE.
    REGULAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DOS EXCESSOS É DEVER DO ESTADO.
    NÃO VEJO QUALQUER PROBLEMA EM DEIXAR QUE AS EMPRESAS TOMEM A DIREÇÃO DE SEUS NEGÓCIOS.

    E, REPETINDO, SE HOUVER MÁ-FÉ OU MESMO NEGLIGLIGÊNCIA DOS ADMINISTRADORES NA CONDUÇAO DE SUAS TAREFAS, QUE DEVEM SER APENAS DE REGULAÇÃO E FISCALIZAÇÃO, QUE SE PUNAM OS RESPONSÁVEIS, NOS LIMITES DA LEI,

    LUIZ ROBERTO VALENTE
    ADVOGADO

    • erickfigueiredo permalink

      Só existe mercado se este for livre. E no Brasil existe fiscalização. Temos órgãos reguladores e o funcionamento é bom. Isto é uma coisa.
      Entregar à iniciativa privada, a preço vil, bens pertencentes à nação, é outra coisa completamente diferente.
      De qualquer forma respeito tua opinião e agradeço o comentário.

  2. Em se tratando de qualquer politico … pra não ficar na dúvida cravo sempre duplo … sem medo de errar ….

  3. LISONN permalink

    Saudações!
    Que Post Fantástico!
    Amigo ERICK, são tantos desmando que acontecem nesse País, que nos deixam profundamente entristecidos.
    E diante de todos esses crimes quais as providências realmente que foram tomadas?
    Nesse caso não caberia uma intervenção, ou é certo deixar tudo como está?
    Se bem que dessa qualimarca de políticos tanto os que saíram quanto os que aí estão eu não votei e nem vou votar. Não voto em nenhum. Eu já cansei meu amigo.
    Parabéns pelo excelente Post!
    Abraços,
    LISON.

    • erickfigueiredo permalink

      Mudar agora é muito caro… Cada um tem uma forma de pensar, mas não acredito que a anulação do voto seja o melhor caminho.
      Obrigado pelo comentário.

  4. Olá Erick.

    Não ver os erros de FHC é tão grave quanto não ver os erros do PT, com uma agravante, sendo o PSDB o virtual adversáio do PT, na próxima eleição para presidente, o PSDB deve sim ser investigado.

    O maior erro de FHC, a meu ver, foi a sua mania de querer fazer tudo sozinho, decidir tudo sozinho, só depois que ele saiu é que ficamos sabendo que o principal idealizador do real era malin, ele era o grande articulador da economia.

    Fazer política como o FHC fez até uma criança faria, ou seja, vendendo tudo o que os militares levaram 40 anos para formar, e pior, de maneira fraudulenta.

    No Brasil é assim, precisamos saber qual o candidato tem mais competeência, aí, é só votar contra, afinal, competência para roubar é um péssimo negócio para o eleitor que vai ter que pagar por esse roubo.

    ABS

    • erickfigueiredo permalink

      Vamos aguardar para verificar um caminho alternativo para as próximas eleições. Acredito na possibilidade de alternância. Obrigado pelo comentário.

    • erickfigueiredo permalink

      Obrigado pelo comentário. Você tem razão na tua ponderação (no meu modo de vista).

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