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Uma semente que germina há 24 anos

12/19/2009

O Prêmio João Canuto de Direitos Humanos é concedido pelo Movimento Humanos Direitos(MHuD), uma organização não-governamental que tem como objetivo contribuir com a sociedade, cooperando com outras organizações já existentes para ampliar a visibilidade sobre os crimes cometidos contra os direitos humanos no Brasil e no mundo. A comenda é entregue anualmente para militantes na conquista e na defesa dos Direitos Humanos.

Mas quem foi João Canuto?

João Canuto de Oliveira migrou de Goiás e se instalou no Pará em 1973. Foi gerente de fazenda por alguns anos até que foi expulso. Seu crime era participar da Igreja Católica e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, localidade onde vivia. Participou da vida política e foi candidato a prefeito da cidade perdendo por pequena margem de votos. Naquele tempo como hoje, isto era crime.

A tentativa de criminização de tais movimentos não é recente. Isto ainda hoje é considerado crime.  Principalmente por movimentos reacionários da oligarquia e seus servis defensores sem opinião.

João Canuto liderou lutas em prol da classe dos camponeses e obteve vitórias políticas e trabalhistas. Foi ameaçado várias vezes, preso sem mandato judicial, perseguido ao mesmo tempo por jagunços e pela polícia. Os latifundiários e grileiros o viam como uma ameaça e em 18 de dezembro de 1985 foi assassinado com 16 tiros. Suas últimas palavras: “Morro, mas fica a semente”. O crime foi registrado mas as providências da justiça demoraram muito para acontecer e só ocorreram por pressão internacional, como é comum neste tipo de crime.

Os filhos de Canuto continuaram sua luta. Em 15 de abril de 1990 José, Orlando e Paulo Canuto foram seqüestrados de dentro de casa e também assassinados barbaramente. Teriam matado toda a família não fosse Geraldina, a esposa de Canuto ter se refugiado em Belám com o que sobrou da família.

O inquérito do assassinato de João Canuto foi concluído oito anos após sua morte. A denúncia foi feita pelo Ministério Público somente em 1996. Um ano depois, sob ameaça da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) de condenar o governo brasileiro pela demora na apuração dos fatos, o andamento do processo foi agilizado. Em 1999, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana pela lentidão na apuração do caso. E sob pressão de organizações de direitos humanos, em 2001, os fazendeiros acusados: Vantuir Gonçalves de Paula e o prefeito de Rio Maria, Adilson Carvalho Laranjeira, foram pronunciados como mandantes do assassinato.

D. Geraldina faleceu em outubro deste ano.

Aqui ficam nossas homenagens a este homem e seus filhos, que lutaram pelo direito e liberdade. Saibam que a semente ficou e ainda há de florescer neste nosso Brasil.

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From → Sociedade

6 Comentários
  1. Saudações Natalinas!
    Amigo Erick,
    Que Post Fantástico!

    Confesso que não conhecia a história de vida e lutas desse importante herói. É uma história exemplar de um cidadão que não se curvou a poderosos grileiros. Fiquei imaginando o quanto duro em especial as privações e sacrifícios a que a família foi submetida.
    Para a justiça brasileira, quando se trata de fazer reparos por danos crimes ou até uma simples anistia para os seus filhos é um faz de conta que está se tornando cultura, procrastinam e enrolam o que podem.
    Mas se for para reparar e proteger terroristas, estupradores rei dos ladrões e membros de alguma máfia, tudo corre a pleno vapor e a toque de caixa. Anistiam, dão guarida, protegem e ainda pagam para tê-los sob a tutela do estado.
    Gostei muito de conhecer a história de vida desse brasileiro.
    Parabéns pelo excelente Post!
    Abraços fraternos,
    LISON.

    • erickfigueiredo permalink

      Obrigado pelo teu comentário que só enriqueceu o post. Feliz Natal e um Ano Novo cheio de realizações.

  2. Olá, Erick!

    Veja até onde vai a peversidade e a crueldade de marginais e criminosos de colarinho branco que por ter muito dinheiro, prestígio e muitos amigos poderosos nunca ou quase nunca são punidos. A liberdade é brutalmente assassinada, os direitos da pessoa humana ficam apenas no papel e os pobres são tratados de forma pior do que os animais. É preciso trazer civilização e liberdade para as pessoas em nosso país, principalmente para aquelas que são tratadas de forma tão cruel e desumana.

    Abraços

    Francisco Castro

    • erickfigueiredo permalink

      Esperemos que um dia possamos conviver democráticamente em igualdade de condições. Os brasileiros só querem o direito ao trabalho e que sejam respeitados como pessoas. Obrigado.

  3. Homenagens devemos todos nós a esses patriotas, que arriscaram suas vidas pelo bem coletivo de seus pares!!

    Parabéns pela matéria!!

    Abs!!

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