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O Irã na atualidade

11/27/2009

Foi publicado no sitio “Vermelho”,  de Lejeune Mirhan, presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, escritor, arabista e professor. Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa e da International Sociological Association, artigo analisando a reação negativa da imprensa golpista à visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Os dos mais inteligentes e competentes jornalistas na atualidade, Antônio Luis Monteiro Coelho da Costa, da revista Carta Capital, nos apresenta dados interessante sobre o Irã atual, Nação moderna e progressista, apesar dos problemas e de muito que se tem que modificar ainda (2):

• No Irã não se usa a burca típica do Afeganistão; quase não se vê também o nigab (veu que cobre o rosto), ainda hoje obrigatório na Arábia Saudita, nos Emirados do Golfo, no Iêmen, Paquistão entre outros;
• A participação das mulheres na sociedade iraniana é das maiores no mundo. Na economia, chega a 40% (maior que no Chile, Egito, Turquia entre outros); mais de 50% dos estudantes do ensino superior sã mulheres (igual à Holanda e maior que México, Chile, Turquia e a maioria dos países muçulmanos);
• Mesmo sendo questionado o modelo de eleições iranianas, onde o clero islâmico tem grande poder e influência, não há nada igual, nem de longe, nos países árabes, monárquicos – a imensa maioria – onde o povo quase nunca é chamado a votar;
• O Ocidente reverbera denúncias de fraude sem comprovação alguma, mas pouco destaque deu à monumental fraude no Afeganistão, onde o queridinho da mídia, Hamid Garzai – segundo a revista Vogue, um dos homens que melhor se veste no mundo – foi “reeleito” na base do “bico de pena”, no tapetão;
• O Irã é um país moderno, industrializado, com renda per capita maior que a nossa, que a da África do Sul, da Tailândia, entre outros;
• Em fevereiro do ano passado colocou em órbita, com recursos e tecnologia própria, um satélite de comunicação, o primeiro no mundo muçulmano;
• Suas montadoras de veículos fabricam mais carros que a Itália (um milhão de carros);
• 35% dos iranianos tem acesso à Internet, menos que o Brasil e este ano as projeções são de que atinjam 48%;
• A região metropolitana da Grande Teerã tem 13 milhões de habitantes, com moderna rede de metrô e de transporte público, muito superior a qualquer capital brasileira;
• Ao contrário do que diz a “revista” (folheto de propaganda) Veja, da família Civita, o Irã e seus mulás (clérigos da hierarquia islâmica), não querem a “volta à idade média”; ao contrário; querem a modernização, ainda que sob seu controle;
• Ainda que 98% sejam islâmicos no país, nem todos são persas (apenas 51%, como Ahmadinejad; uma segunda etnia forte e grande é a azeri, do líder espiritual Ali Khamenei, que sucedeu Khomeini, que era persa;
• Ao contrário de Israel, do Paquistão e mesmo do Iraque, na época de Saddam Hussein, o Irã nunca atacou seus vizinhos em nenhum momento ou reivindicou qualquer de seus territórios;
• É verdade que metade dos 80 mil judeus que moravam no Irã há 30 anos, quando da eclosão da Revolução Islâmica, emigrou para outros países; mas, os que lá permaneceram, até lutaram para derrubar a monarquia fascista do Xá Reza Pahlevi em 1979 e defenderam o aís dos ataques iraquianos entre 1980 a 1988; e hoje vivem um clima de ampla liberdade, sem nenhuma restrição ao seu culto, à sua educação judaica, às suas viagens e até seu principal líder, Haroun Yashayaei até criticou Ahmadinejad – sem ser punido! – por este questionar o holocausto.

Enfim, poderíamos nos estender a outros aspectos positivos da vida política, cultural e social do social da República Islâmica do Islã. Mas não será necessário. O ponto central é em torno de quem orbita esse pequeno gigante, imenso produtor de petróleo hoje no mundo. O Irã não faz o jogo dos estados Unidos. Muito ao contrário. Dá-lhe frontal combate. Ahmadinejad articula suas alianças hoje com a Venezuela de Chávez, a Bolívia de Evo e, claro, com o nosso Brasil sob o comando do presidente Lula. Se não fosse isso, não seria tão demonizado com vem sendo feito por essa imprensa golpista. Que tenta mentir ao mundo que á é uma ditadura, as eleições foram fraudadas e que o Irã quer a bomba. Tudo mentira.

Já nos primeiros anos do meu curso de Ciências Sociais – e já se vão 30 longos anos – na disciplina de Antropologia aprendi um conceito que a nós, sociólogos, nos é muito caro. O de “relativismo cultural”. Significa que devemos ver as outras nações, as outras culturas, as outras civilizações, diferentes das nossas, com um relativismo, procurando encarar seus hábitos e costumes com naturalidade, sem arrogância e sem a prepotência de achar que nossa cultura Ocidental é melhor e deve ser seguido por todos os povos da humanidade.

O povo do Irã escolheu esse caminho de forma soberana, autônoma, com liberdade. Fizeram uma Revolução em 1979, ainda que com rumos que eu até possa não estar de pleno acordo. Mas devo aceitá-los. O que entristece a turma dos golpistas da mídia e a sua elite, é que esse país soberano saiu da órbita dos Estados Unidos. Nunca nos esqueçamos – e o povo iraniano guarda isso bem guardado em sua memória histórica – dos episódios da nacionalização do petróleo levado à cabo pelo então primeiro Ministro Mossadegh em 1953. Não resistiu um ano e foi derrubado com a ajuda da CIA, que garantiu o controle do petróleo para os EUA e para a Inglaterra a partir daí até 1979, quando ele volta para o controle do povo.

Ai está, em poucas palavras, porque o Irã é tão demonizado por essa mídia golpista. Só por isso, já devemos ver com bons olhos esse grande país, de civilização milenar, organizada a partir do Grande Ciro, da Pérsia séculos antes da atual era cristã. Vida longa ao Irã!

Veja reportagem completa no Portal Vermelho sob o título “Porque demonizam Ahmadinejad?”

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From → Sociedade

7 Comentários
  1. Saudações Natalinas!
    Amigo Erick,
    É um artigo muito interessante e nos trás dados preciosos e até invejáveis sobre o Irã… Gostei muito do esclarecimento. É aquela tal coisa, procurar olhar com clareza o outro lado da moeda é muito mais importante, sob pena de se ficar a reboques pelo que um segmento veicula sobre um determinado país ou assunto.
    Parabéns pelo excelente post!
    Abraços fraternos,
    LISON.

    • erickfigueiredo permalink

      Também achei muito interessante e a intenção de publicá-lo foi justamente o de dar um contraponto à mídia. Obrigado pelo comentário.

  2. Sempre estou atento aos textos do Lejeune! Ele é sem dúvida um dos melhores intérpretes brasileiros da realidade do oriente médio. Este, ainda não havia lido, mas achei bastante interessante, especialmente quando fala que pode até não concordar com alguns aspectos do caminho escolhido pelo Irã, mas foi o povo iraniano que o escolheu. Concordo com ele.

    • Não cabe à nossa imprensa tendenciosa julgar um povo estrangeiro. Eles já provaram desconhecer até mesmo o Brasil. Obrigado pelo comentário.

  3. lucca permalink

    muito rui!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  4. Tiffany Souza permalink

    so pra saber lucca ée ruim nao rui
    presta atençao!
    fala mal e nem sabe escrever!

  5. Isaias permalink

    Cresci vendo filmes e até desenhos animados que retratavam os povos do oriente médio como sendo exóticos e, na maioria das vezes, perigosos ao nosso estilo de vida, a nossa liberdade religiosa e não-democráticos. Hoje entendo o que os sociólogos querem dizer quando se referem ao relativismo cultural.E ainda que não houvesse essa abordagem sociológica consigo perceber que os grande veículos de comunicação de massa ainda hoje não medem esforços para incutir nas mentes das pessoas essa imagem distorcida e completamente falsa das nações do oriente médio com suas culturas riquíssimas e milenares e que muito contribuiu para formação de tantas nações. Falar do povo iraniano faz-se obrigatório lembrar do grande império persa. Não sou historiador nem estudioso dos povos antigos, mas sei o suficiente para reconhecer a importância e a contribuição que os persas tem para a vida moderna.

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