Skip to content

Capoeira: jogo, dança, luta – nossa tradição cultural

10/31/2009

capoeiraA luta de classes do Brasil passa, necessariamente, pela integração das etnias negras. Freqüentemente o negro é associado às classes mais pobres e miseráveis, sendo apresentados como ignorantes, marginais, transgressores, preguiçosos, frágeis e suscetíveis. Esta associação é um estigma que remonta ao período colonial. Os quilombos nos eram apresentados (e alguns ainda acreditam nisso) como como um bando fugitivo que se embrenhava na floresta fugindo da escravidão. Mas sabemos que não eram: tratavam-se de cidades organizadas e com autonomia, onde havia estrutura social e econômica bem definida e autônoma.

Assim acontece também com as demais tradições populares do Brasil, entre elas nossa luta marcial: a capoeira.

Desde o século XVI, quando Portugal enviou escravos para o Brasil, provenientes da África Ocidental, sendo o Brasil o maior receptor da migração de escravos, com 42% de todos os escravos enviados através do Oceano Atlântico, foram também importados culturas e tradições. Principalmente pelos povos Iorubá e Daomé, o grupo guineo-sudanês dos povos Malesi e Hausa, e o grupo banto (incluindo os kongos, os Kimbundos e os Kasanjes) de Angola, Congo e Moçambique. E junto com estes povos, vieram para o Novo Mundo tradições culturais e religião. Tudo isto foi homogeneizado e fundido com costumes brancos, formando a cultura brasileira.

Os povos africanos e seus descendentes no Brasil sob a opressão da escravatura foi o catalisador das religiões, culinária, e da poderosa arte marcial conhecida como capoeira. A capoeira foi desenvolvida pelos escravos do Brasil, como forma de elevar o seu moral, transmitir a sua cultura e principalmente como forma de resistir aos seus escravizadores. Foi também muito praticada nos quilombos, onde os escravos fugitivos tinham liberdade para expressar sua cultura.

Há relatos de historiadores de que Zumbi dos Palmares e seus quilombolas comandados só conseguiram defender o Quilombo dos Palmares dos ataques das tropas coloniais porque eram exímios capoeiristas. Mesmo possuindo material bélico muito aquém dos utilizados pelas tropas coloniais e geralmente combatendo em menor número, resistiram a pelo menos vinte e quatro ataques de grupos com até três mil integrantes comandados por capitães-do-mato. Foram necessários dezoito grandes ataques de tropas militares ao Quilombo dos Palmares para derrotar os quilombolas. Soldados de Portugal relatavam ser necessário mais de um dragão (militar) para capturar um quilombola porque se defendiam com estranha técnica de ginga, pernas, cabeça e braços. Muitos comandantes de tropa portugueses e até um governador-geral consideraram ser mais difícil derrotar os quilombolas do que os holandeses.

Há registros da prática da capoeira nos séculos XVIII e XIX nas cidades de Salvador, Rio de Janeiro e Recife, porém durante anos a capoeira foi considerada subversiva, sendo sua prática proibida e duramente reprimida.

Em 1932, Mestre Bimba fundou a primeira academia de capoeira do Brasil em Salvador. Mestre Bimba acrescentou movimentos de outras artes marciais e desenvolveu um treinamento sistemático para a capoeira, estilo este que passou a ser conhecido como Regional. Em contraponto, Mestre Pastinha pregava a tradição da capoeira com um jogo matreiro, de disfarce e ludibriação, estilo que passou a ser conhecido como Angola. Da dedicação desses dois grandes mestres, a capoeira deixou de ser marginalizada e se espalhou da Bahia para todos os estados brasileiros.

A capoeira já foi motivo de grande controvérsia entre os estudiosos de sua história, sobretudo no que se refere ao período compreendido entre o seu surgimento – supostamente no século XVII, quando ocorreram os primeiros movimentos escravos de fuga e rebeldia – e o século XIX, quando aparecem os primeiros registros confiáveis, com descrições detalhadas sobre sua prática. Decretado por marechal Deodoro da Fonseca o Decreto Lei 487 dizia que: A partir de 11 de Outubro de 1890 todo capoeira pego em flagrante seria desterrado para a Ilha de Fernando de Noronha por um período de dois a seis meses de prisão. Parágrafo único: É considerada circunstância agravante pertencer o capoeira, a alguma banda ou malta, aos chefes impor-se-á a pena em dobro.

Podemos dizer que a capoeira é a arte marcial brasileira e esperamos que, com o filme Bezouro, que representa a lendária história de Manuel Henrique Pereira, o Bezouro do Mangagá, que viveu na Bahia entre 1895 e 1924. Esperemos que, com este filme, os brasileiros tomem mais gosto pela nossa rica cultura e passem a praticar nossa arte marcial, misto de jogo, dança e luta que propiciou a sobrevivência de quilombos como o de Palmares, onde com muito menos recursos bélicos do que os dos colonizadores, os intrépidos representantes de nosso povo e de nossa cultura pudessem deixar o legado da luta pela igualdade social.

Fonte: Wikpedia.

Anúncios

From → Sociedade

3 Comentários
  1. Boa, Erick.
    Vou linkar este post ao post sobre o Besouro, no Blog do Varejo
    http://varejototal.zip.net/arch2009-10-25_2009-10-31.html#2009_10-30_08_24_48-6129700-0
    como leitura complementar.
    Abraço,
    Edu Buys

  2. gilson permalink

    maravilhakkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk gostei

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: