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Há 79 anos, num Brasil oligárquico

10/24/2009


Há 79 anos o Brasil era um país onde poucos tinham direitos. Havia uma oligarquia que se achava dona do Brasil. Composta de agricultores e pecuaristas, desaprovavam a modernização e, para manter-se no poder, sacrificavam o próprio país. Esta situação durou muito tempo remontando ao golpe militar que destituiu D. Pedro II e instituiu no país uma república voltada para o poder da oligarquia dos latifundiários.

Em 1929, a especulação e o clima de euforia financeira nos Estados Unidos provocou uma crise financeira sem precedentes que atingiu o mundo inteiro, inclusive o Brasil.

Neste clima, Getúlio Vargas consegue sair vitorioso em uma revolução que desestabilizou a oligarquia dominante.

Os antecedentes da Revolução de 30

Interpretada como a revolução que pôs fim ao predomínio das oligarquias no cenário político brasileiro, a Revolução de 30 conta com uma série de fatores conjunturais que explicam esse dado histórico. O próprio uso do termo ‘revolução’ como definidor desse fato, pode ainda, restringir outras questões vinculadas a esse importante acontecimento. Em um primeiro momento, podemos avaliar a influência de alguns fatores internos e externos que explicam o movimento.
No âmbito internacional, podemos destacar a ascensão de algumas práticas capitalistas e a própria crise do sistema capitalista. Cada vez mais, a modernização das economias nacionais, inclusive a brasileira, só era imaginada com a intervenção de um Estado preocupado em implementar um parque industrial autônomo e sustentador de sua própria economia. Em contrapartida, o capitalismo vivia um momento de crise provocado pelo colapso das especulações financeiras que, inclusive, provocaram o “crash” da Bolsa de Nova Iorque, em 1929.
Apático a esse conjunto de transformações, os governos oligárquicos preferiam manter a nação sob um regime econômico agro-exportador. Dessa forma, a economia brasileira sofreu, principalmente nas primeiras décadas do século XX, graves oscilações em seu desempenho econômico. Em outras palavras, a economia brasileira só ia bem quando as grandes potências industriais tinham condições de consumir os produtos agrícolas brasileiros.
Defendendo essa política conservadora e arcaica, as elites oligárquicas acabaram pagando um alto preço ao refrear a modernização da economia brasileira. De um lado, as camadas populares sofriam, cada vez mais, o impacto de governos que não criavam efetivas políticas sociais e, ao mesmo tempo, não dava devida atenção aos setores sociais emergentes (militares, classes média e operária). Por outro, as próprias oligarquias não conseguiam manter uma posição política homogênea mediante uma economia incerta e oscilante.

Fatos que marcaram o processo da Revolução de 30

Nesse contexto, podemos compreender que a crise das oligarquias foi um passo crucial para a revolução. Com o impacto da crise de 1929, o então presidente paulista Washington Luís resolveu apoiar a candidatura de seu conterrâneo Júlio Prestes. Conhecida como “Política do Café Puro”, a candidatura de Júlio Prestes rompeu com o antigo arranjo da “Política do Café-com-Leite”, onde os latifundiários mineiros e paulistas se alternariam no mandato presidencial.
Insatisfeitos com tal medida, um grupo de oligarquias dissidentes – principalmente de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba – criaram uma chapa eleitoral contra a candidatura de Júlio Prestes. Conhecida como Aliança Liberal, a chapa encabeçada pelo fazendeiro gaúcho Getúlio Dorneles Vargas prometia um conjunto de medidas reformistas. Entre outros pontos, os liberais defendiam a instituição do voto secreto, o estabelecimento de uma legislação trabalhista e o desenvolvimento da indústria nacional.

O desfecho da Revolução de 30

Sob um clima de desconfiança e tensão, o candidato Júlio Prestes foi considerado vencedor das eleições daquele ano. Mesmo com a derrota dos liberais, um possível golpe armado ainda era cogitado. Com o assassinato do liberal João Pessoa, em 26 de julho de 1930, o movimento oposicionista articulou a derrubada do governo oligárquico com o auxílio de setores militares.
Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

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From → Sociedade

8 Comentários
  1. Desde então o Brasil padece.
    “O país ficou entregue, como não é segredo para ninguém, a uma quadrilha de assassinos e torturadores e de gatunos profissionais, que tinham carta branca para a consumação dos crimes mais hediondos contra os adversários do regime.” (MUNIZ, Edmundo, cit. JORGE, Fernando: 7)

    Em todo o período da influência que o caudilho* missioneiro exerceu sobre o nosso povo, não há um traço nobre, um laivo de idealismo, uma sincera atitude de humanidade. Há, simplesmente, mentira, mistificação e o ópio de um paternalismo apodrecido na manipulação das negociatas e das facilidades corruptoras.
    OLIVEIRA, Rafael Correia de, cit. JORGE, Fernando, :15
    http://allmirante.blogspot.com/2009/10/as-revolucoes-do-24-de-outubro.html

    • erickfigueiredo permalink

      Não sou favorável a ditadura nenhuma assim como também não sou favorável ao domínio pela oligarquia que oprimiu e espoliou o povo e o país. O ideal teria sido o caminho democrático. Entretanto não havia clima favorável para que este caminho fosse escolhido, já que as instituições favoreciam à manutenção do atraso reinante. Então, aproveitando-se do descontentamento de uma parcela insatisfeita da própria oligarquia, optou-se pelo caminho da luta armada.
      O povo o elegeu de novo de forma democrática. Embora simpatizante do fascismo, de quem tomou emprestada a “Carta del Lavoro” só após Getúlio tivemos uma classe trabalhadora com alguns direitos outorgados, o que propiciou a evolução da nossa história.
      Infelizmente este foi o caminho. Poderia ter sido melhor, mas poderia, também, ter sido pior.

  2. Importante lembrar a Revolução de 1930. Embora haja quem não concorde com isso (e é uma discussão importante), considero que talvez seja a única revolução pela qual o Brasil já passou.
    A dominação oligárquica na verdade remontava ao império, embora a república tenha dado nova forma à ela. A própria forma como se deu a independência do Brasil e como se manteve a unidade da nação que se formava (em oposição à América espanhola, e mesmo à atual Argentina, que até hoje vive uma oposição Buenos Aires x interior) levaram a esse pacto oligárquico que, com mudanças principalmente quanto à forma de exploração do trabalho, sobreviveu até 1930.
    A mudança ocorrida em outubro de 1930 é principalmente um marco na modernização do Brasil. As disputas entre as oligarquias abriram espaço para a emergência da burguesia e para o reconhecimento de uma classe operária ainda em formação. A disputa que se seguiu à revolução foi entre os setores mais progressistas e os mais atrasados desses mesmos grupos, prevalecendo os de inclinação fascista. Porém, findo o Estado Novo, a grande questão nacional passou a ser como levar adiante o desenvolvimento econômico brasileiro, se de forma soberana ou dependente – e o golpe de 1964 consolidou a vitória dos setores mais atrasados da burguesia e do latifúndio, consolidando a dependência do Brasil em relação ao capital financeiro internacional (o imperialismo, enfim).

    Por fim, achei interessante o comentário sobre a “falta de idealismo” de quem tirou a própria vida para fazer retroceder um golpe de Estado já em operação (República do Galeão). Citar os arroubos literários de terceiros é muito fácil. Estudar já são outros quinhentos…

    • erickfigueiredo permalink

      Concordo plenamente com as tuas colocações sempre bem embasadas. A transformação do Brasil daquela época em um Brasil que temos hoje, por exemplo, teria poucas chances de ser instituido. Prova disso foi a crise de 1964. Acredito que a via pela qual trihamos nossa evolução foi a possível dentro da nossa cultura.
      É como críticas ao atual governo pela manutenção de certas políticas.
      O que está sendo feito é o possível.
      Obrigado pelos comentários.

      • A crise de 64 foi porque o povo se viu frustrado com Janio que prometera varrer a corrupção que Getúlio instalou no Brasil, e Juscelino, do seu partido, deu seguimento.

    • Ás citações são de obra histórica, não literária. O preconceito de supor falta de estudo revela prepotência, ao tempo que demonstra o inverso. Se prefere diretos, faço sua vontade. Getúlio e sua gang trucidaram e mataram um estudante paulista em Ouro Preto, onde tinha ido estudar. O atentado da Toneleiros teve mandante, pobre do capacho incpmpetente. O que ele fez com Olga Benário e mesmo LC Prestes não encontra paralelo. O mesmo, com outro ex-aliado, Plínio Salgado. Nas mesas de roleta do Quitandinha so dava a familia, tão bem representada por Beijo, e sua turminha. Com D. Pedro II havia o federalismo, e o poder moderador. Com a Res ex pública, ora privada, e muito fedorenta, os marechais e seus apanigados positivistas se adonaram das fazendas de café, em Sao Paulo, e as de gado, no RS. Este estado se acostumou com a ditadura. Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros se encarregaram de ensinar o caudilho como se embreta o povo. O pós-graduação veio da Itália, do comparsa Mussolini. Eis como o genero literário do nanico foi capaz de expressar ao alto-coturno que lhe serviu: .
      ” Mussolini, Hitler, Mustafá Kemal Pacha, Roosevelt e Salazar… Todos eles para mim são grandes homens, porque querem realizar uma idéia nacional em acordo com as aspirações das coletividades a que pertencem. VARGAS, Getúlio, cit. MONTEIRO, Góis, A Revolução de 30 e a Finalidade Política do Exército:187:
      Então o suicida queimou todas as bandeiras dos estados, acabou com os partidos políticos, aí sim, instalando uma república priivatizada ao máximo, patrimonialista, ao gáudio dos pelegos:
      ” Entrevistado nos anos 80, o idealizador da CLT, Segadas Vianna, expressou com clareza o cinismo da cultura política das elites jurídicas ligadas à classe dominante, mesmo durante a época áurea do populismo de Getúlio. ‘Sindicalismo no Brasil é uma utopia, é uma farsa, não é? Naquele tempo ainda mais'”. FRENCH, J. D.: 45. .
      Para o trabalhador ter seus direitos garantidos ele arca com um valor mensal superior ao que recebe por seu trabalho, Isso é negócio? A plêiade fascista jamais se preocupou com alguma classe, a não ser com sua própria falta de classe. O “romancista” DAVID BOHM veio morar no Brasil, ensinando na USP, entre 52 e 54. O célebre cientista enviou curto e grosso relato ao amigo de literatura, Albert EINSTEIN:
      “O que caracteriza esse governo (Getúlio Vargas) é uma incrível e absoluta corrupção, de tal intensidade que nem mesmo um norte-americano imaginaria antes de vê-lo de perto. Do topo à base, todos aceitam propinas.” (MOREIRA e VIDEIRA, Einstein e a Ciência no Brasil: 267)
      Matéria e citações de liiterários tenho às pilhas, mas isso nunca veio ao caso. Devem ficar enterradas, porque a estratégia de conquista do poder Maquiavel bem ensinou, e todos que seguiram a cartilha obtiveram pleno êxito. Getúlio tem seu nome em praças, avenidas, e tudo o mais, até em Fundação de nível superior. Ocorre, todavia, que o script do sádico florentino requer um final melancólico, geralmente trágiico, aos artistas de sua peça, para deleite da platéia, esta que garante ao Secretário a fama por já por meio milênio.
      Faz-se oportuno o alerta de Kelsen, o jurista mais consagrado do XX: se faz oportuno o alerta de KELSEN (A democracia: 140):
      “E, ainda que o fascismo e o nacional-socialismo tenham sido destruídos enquanto realidades políticas na Segunda Guerra Mundial, suas ideologias não desapareceram e, direta ou indiretamente, ainda se opõem ao credo democrático.”
      Pelo visto, com certeza.

  3. erickfigueiredo permalink

    Com Getúlio Vargas vimos o início da industrialização e a diversificação dos meios produtivos que deixou de ser o da produção e extração de bens primários e da agricultura para a manufatura, representando a retomada do progresso ainda que sob influência das idéias que na época representavam desenvolvimento e nacionalismo.
    Obrigado pelo comentário que deu a visão de uma tendência que felizmente não vingou em nosso país.

    • Isto não é visão, é ciência. E que iondustrialização? A industria do aço,a fornecer ao Eua à guerra? A petrobrás, que é nossa, e por isso pagamos o preço de gasolina mais caro do mundo? Antes de paixão ou gosto, a reponsabilkidade com nossos descendentes exige conhecimento.. Infelizmente o brasileiro nem visão tem, haja viosto a sequencia histórica dfos presidentes que elege. Lembro o Barão de Itararé: onde a gente menos espera, aí mesmo é que não sai nada que preste,

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