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Progrom – um ato bárbaro provocado pelo sectarismo

10/04/2009

progrom
Pogrom (do russo погром) é um ataque violento maciço a pessoas, com a destruição simultânea do seu ambiente (casas, negócios, centros religiosos). Historicamente, o termo tem sido usado para denominar atos em massa de violência, espontânea ou premeditada, contra judeus e outras minorias étnicas da Europa. (Wikipédia)

Em abril de 1903, turbas enfurecidas assassinaram brutalmente 45 judeus e feriram outros 700, destruindo centenas de casas e lojas.
Mulheres e crianças foram vítimas das mais horrendas violências. O nome Kishinev ficou desde então associado a uma indizível selvageria e esse primeiro pogrom do séc. XX mudou o curso da história dos judeus – pois a retomada da violência anti-judaica na Rússia czarista levou milhares deles a emigrar para a Terra de Israel e para os Estados Unidos.

Em fevereiro de 1903 foi encontrado morto, em Kishinev, um menino cristão, Michael Ribalenko. Embora fosse evidente que o menino havia sido morto por um parente – como foi mais tarde provado – espalhou-se na cidade o boato de que fora assassinado pelos judeus. Segundo algumas fontes, o chefe da polícia local teria sido o autor do boato. De qualquer modo, teve importante participação no desenrolar dos acontecimentos. Na véspera da Páscoa de 1903, turbas enfurecidas assaltaram Kishinev. Os judeus tentaram inutilmente apelar às autoridades locais. Sabiam que estas poderiam conter imediatamente a violência pois havia 5 mil soldados estacionados na cidade. Mas o vice-governador se recusou a intervir, afirmando que só poderia tomar qualquer medida se recebesse ordens diretas do Ministro do Interior. Acredita-se que o próprio vice-governador fosse um dos incentivadores do pogrom e que o ministro do Interior lhe dera ordens de não parar a violência. Quando “as instruções” finalmente chegaram e as tropas foram enviadas às ruas, sua presença bastou para acabar com os desmandos. O pogrom durou três dias, deixando em seu rastro conseqüências estarrecedoras: 45 judeus morreram e 700 ficaram feridos, 92 dos quais em estado grave. Mulheres e crianças sofreram violências brutas. De acordo com os dados oficiais, mais de 800 casas foram pilhadas e destruídas, 2.000 famílias ficaram sem teto e 600 lojas foram saqueadas. Embora pareça que a reação dos judeus foi de total passividade, sabe-se que houve tentativas de auto-defesa. Todas, porém, fracassaram. As autoridades, ao invés de parar a violência, desarmaram os poucos judeus que resistiam.

Este situação foi o coroamento da política sectária dos russos, a exemplo dos espanhóis e portugueses.No final do séc. XIX e início do séc. XX, em todo o território russo o anti-semitismo era uma política oficialmente sancionada pelo governo, algo que não acontecia na Europa central e ocidental e muito menos nos Estados Unidos.

Nesse período o anti-semitismo russo assumiu inúmeras formas, desde a organização de pogroms até a falsificação e a publicação dos famigerados “Protocolos dos Sábios de Sião”. A violência era abertamente instigada pelo governo, que passou a manipular abertamente o sentimento anti-judaico das massas russas com dois objetivos. O primeiro era tentar reduzir a população judaica da forma a mais rápida e drástica possível. O segundo, canalizar a insatisfação popular, especialmente entre os camponeses, alimentando o seu ódio contra os judeus para, assim, controlar uma onda revolucionária muito mais abrangente, que acabaria, em 1917, por destruir o regime czarista. É interessante notar que o termo pogrom, usado praticamente em todas as línguas para definir os ataques a judeus ou a suas propriedades, é uma palavra russa que significa “tempestade“ ou “destruição“.

O mais triste é que quem insuflava a população contra os judeus era o próprio governo russo. Um claro exemplo da política oficial referente aos judeus do Império Russo foram os pogroms de 1881-1882. A onda de violência teve início seis semanas após a morte do czar Alexandre II, por ocasião da Páscoa, no sul da Ucrânia. Os pogroms duraram dois anos, espalhando terror e derramamento de sangue por cerca 150 localidades. Enquanto matavam os judeus e suas propriedades eram saqueadas e destruídas, a polícia e o exército eram mantidos afastados, por vários dias, antes de receber ordens para intervir. Estas ações provocaram fuga em massa de judeus do território russo e calcula-se que entre 1881 e 1918, cerca de 1 milhão e 300 mil judeus deixaram o Império Russo. A fuga se deu, principalmente para as américas, onde a tolerância religiosa era maior, destacando-se os Estados Unidos mas com incidência também para países da américa latina, inclusive para o Brasil.

Estas barbaridades na Rússia perduraram por todo o czarismo. Em outubro de 1917 houve a revolução russa que derrubou este regime. Mas isto não significou que os judeus pararam de ser perseguidos. A perseguição continuou.

Este é um exemplo extremo da deturpação dos ensinamentos de Cristo, que nada tem haver com violência ou proselitismo. Esta atitude hoje continua sendo possível dada a crença de que a minha religião é a unica que pode salvar e quem não a professar queimará no fogo do inferno pelo resto da eternidade. Este sentimento, quando exacerbado e levado às últimas conseqüências pode ser o estopim de ações violentas pela falta de consideração pela pessoa simplesmente por ela não professar a mesma fé que eu professo.

Os líderes religiosos devem tomar muito cuidado, pois a tolerância não é a negação da fé nem da religião. É um sentimento cristão de amor e de respeito ao próximo.

Fonte: Morasha
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From → Sociedade

2 Comentários
  1. A intolerância vai em direção oposta ao cristianismo. Fez e continua fazendo milhares de vitimas, infelizmente.
    abs,
    Edilza

    • erickfigueiredo permalink

      É ainda um mal que precisa ser combatido de forma pacífica. Obrigado.

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