Skip to content

A lenda da economia suntentável. Será possível?

09/19/2009

AsterixSustentabilidade, economia baseada em pessoas e não em corporações. Valorizar o empreendedor e não ao empreendimento.

Estas idéias são muito combatidas. Criou-se uma mentalidade na qual os empreendimento têm vida própria e as coisas foram feitas para ter vida curta. Com isto cria-se uma ciranda produtiva e econômica onde as coisas são fabricadas indefinidamente sempre com novidades que as tornam obsoletas em um curto espaço de tempo. Existe uma filosofia do consumo, que dilapida as reservas naturais, o que, para os teólogos do consumo exacerbado, não tem importância nenhuma. O importante mesmo é o poder de consumir.

O este consumo, embora exista em maior intensidade em países do primeiro mundo, estende-se também às colônias de onde são extraídas as reservas naturais e a mão de obra, assim como acontecia na Roma antiga. Existem os patrícios, os nativos desta cultura consumista e os militares aos quais são concedidos status de cidadão, que cuidam do interesse do império do consumo extraindo recursos para objetos consumidos pelos patrícios. Existem pessoas que agenciam escravos, que não têm valor nenhum, que são marginais. Marginais no sentido de não ter acesso ao consumo de alto padrão, das novidades “recicláveis”.

Estes agentes de escravos ganham muito dinheiro extraindo as riquezas naturais e agenciando o trabalho destes infelizes sem valor. Com prêmio, têm acesso aos mesmos produtos consumidos pelos patrícios. E sempre formaram opinião, pois a mídia também é uma indústria controlada por eles. Assim, os escravos inferiores, aqueles infelizes sem valor, sempre acreditaram que sua situação era obra dos desígnios divinos e que, comportando-se bem, teriam tesouros enormes e muito maiores do que aqueles que eles não puderam comprar. Só precisam trabalhar direitinho e de forma comportada. Depois disso tudo teriam todo direito a tudo. Depois da morte.

Só que o sistema adotado para este sistema é o da democracia e, em teoria, todos têm o mesmo direito. Mas os patrícios do império não têm medo: um plebeu jamais seria membro do senado. Basta mantê-los ignorantes e resignados e exigir tanto deles que eles não tenham tempo em ficar pensando estas bobagens.

Mas poderá haver um momento em que estes infelizes escravos utilizarão a democracia para benefício próprio?

É um risco. Se isto acontecer vai haver uma reação por parte dos agenciadores, que tentarão a todo custo, convencer aos infelizes escravos de castas inferiores que eles estão errados: o que se deve valorizar é o empreendimento e não o empreendedor. E vão tentar convencê-los a voltar ao que eram antes: resignados com a sua situação esperando alcançar o paraíso do consumo depois da morte. Só não sabemos é que, acontecendo isto, estes infelizes não despertarão para o reconhecimento de seu poder.

Se os infelizes escravos tomarem a rédea do poder talvez resolvam mudar este quadro, valorizando o empreendedor com um desenvolvimento sustentável, onde ganham valor as pequenas coisas que trazem a felicidade. Não a felicidade vendida em shopping center, a felicidade “reciclável”, mas uma felicidade baseada nas pessoas e na sociedade, onde cada indivíduo se sinta responsável por si mesmo, pela sociedade e pelo meio ambiente, consumindo o necessário e fabricando produtos de maior durabilidade evitando assim o desperdício e a dilapidação dos recursos naturais. Uma felicidade baseada em conceitos sólidos de cooperação e solidariedade, baseada no homem, pois se não houver meios para que este se sustente, não podemos exigir dele amor ao meio ambiente. Ninguém, com fome, hesitará em exterminar o último espécime de uma raça em extinção para matar a sua fome.

Mas os patrícios podem ficar tranqüilos… Nada disso pode acontecer.

Ou seria possível?!

Anúncios

From → Sociedade

6 Comentários
  1. Seria maravilho se isto vier acontecer. É um sonho ? Quem sabe ? òtimo artigo.

    Abraços

    • erickfigueiredo permalink

      Eu torço para que seja possível… Quem sabe se a gente se esforçar… Obrigado pelo comentário.

  2. Penso que ainda é tempo de educarmos nossas crianças para um compromisso e responsabilidade desta monta “utópica”, se fala tanto em que tipo de país ou planeta deixaremos para filhos e e netos, que esquecemos de nos perguntar que tipo de filho/neto estamos deixando para o país/planeta.
    Parabéns, sou apreciador contumaz de seus textos.

    • erickfigueiredo permalink

      Bem lembrado: a educação é peça fundamental para que seja possível a existência de um planeta sustentável. Obrigado pela perspicaz observação que complementa o texto e pelo comentário.

  3. Erick!

    Belo texto que retrata bem o que eu realmente penso sobre esse assunto. A ecnomia deve coexistir juntamente com a democracia e a democracia deve coexistir com a economia onde as oportunidades sejam iguais para todos. As possibilidades sejam iguais para todos, aquele que nao conseguem v islumbrar um desenvolvimento mais adequado por conta proprio e pelos meios existentes devem ter a ajuda do Estado para conseguir. Nao se deve fazer doaçoes, mas trocas entre o Estado e essas pessoas que quando tiverem condiçoes devem retribuir ao Estado a ajuda recebida quando necessitava. Assim, a economia tem sustentabilidade, com democracia e com a participaçao de todos.

    Abraços

    Francisco Castro

    • erickfigueiredo permalink

      Muito obrigado pelo teu comentário oportuno que trata da via de duas mãos. Concordo contigo: deve ser troca e não doação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: