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Por trás das bases militares dos EEUU

09/12/2009

cocainaA instalação de sete bases militares dos Estados Unidos na Colômbia – prevista ainda para este mês – reabriu o debate sobre o pretexto utilizado pelo país norte-americano para encobrir seu real objeto na América Latina. O Plano Colômbia – estratégia militar iniciada em 2000 pelos EUA – foi justificado, inicialmente, como forma de combater o narcotráfico na América Latina, já que a maior parte das drogas produzidas seria consumida em território estadunidense.

De acordo com o coronel-aviador da Força Aérea Brasileira, Sued Castro Lima, a maior parte das drogas consumidas nos EUA é produzida no próprio país. Para ele, a intervenção estadunidense na Colômbia serve para “promover o esmagamento dos movimentos populares ou revolucionários que surgem na América Latina e intimidar ou neutralizar iniciativas regionais autônomas nos campos econômicos e de defesa, como é o caso da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL)”.

Sued é engenheiro civil e já participou de diversas missões militares nos EUA, Israel, Argentina, Chile e Rússia. É membro fundador do Observatório das Nacionalidades, entidade de pesquisa ligada à Universidade Federal do Ceará (UFC) e à Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Segundo Sued, “A concessão do governo de Uribe à instalação em território colombiano de sete bases militares operadas por milhares de soldados norte-americanos tem duplo efeito: fere a soberania de seu país e mina a União das Nações Sul-americanas (Unasul), com o seu Conselho de Defesa, ainda embrionários, filhos diletos da política externa e da estratégia de defesa regional desenvolvidas pelo governo Lula.

O argumento de fachada de combate ao narcotráfico há muito se perdeu. Desde que foi iniciado, no ano de 2000, o Plano Colômbia tem redundado em enorme fracasso. A produção de cocaína vem aumentando, exatamente porque aumentou o mercado, concentrado em sua maior parte no EUA. Segundo o Washington Office for Latin America, órgão do governo dos EUA, o preço da cocaína no país caiu 36% nos últimos anos. A queda do preço é mais resultado do incremento da oferta do que de uma redução da demanda. Os EUA continuam sendo os maiores consumidores de cocaína do mundo, com 2,5% da população viciada na droga, algo em torno de 7 milhões de pessoas.

Da produção sul-americana que segue para os EUA, apenas 10% do lucro fica nos países produtores, enquanto 90% vão para as mãos das máfias que operam dentro dos EUA. São dados que indicam que o território onde deveria se travar o principal combate contra o narcotráfico é o próprio território norte-americano e não a selva amazônica.”

Fonte: Se desejar conhecer a entrevista do Coronel-Aviador Sued de Castro Lima, acesse o portal Adital.

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From → Sociedade

2 Comentários
  1. Erick, acho que ainda existe muito ficcionismo em tudo isto, inflamado de um lado e de outro …. será que tiraram os olhos dos países do oriente médio e se viraram para a América do Sul? Será o pré-sal?

    • erickfigueiredo permalink

      Não acredito que seja só o pré-sal. Existe uma preocupação com a democratização da américa latina em geral. Vemos uma convergência entre os governos e os povos que buscam uma união colaborativa, ameaçando a hegemonia do “american fair” que sempre reinou absoluta nas “repúblicas de banana” que agora assumem o poder e as responsabilidades para com o seu povo.
      Nada com que nos preocupar nem perder o sono. É preciso estar a tento e forte. Só isso.

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