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Erotismo: a eterna busca masculina

08/30/2009

eros1Platão, no Banquete, em que nos apresenta Sócrates falando sobre o amor e sobre o desejo, descreve a concepção de Eros:

“Quando nasceu Afrodite, os deuses banquetearam, e entre eles estava Poros (o Expediente), filho de Métis. Depois de terem comido, chegou Pínia (a Pobreza) para mendigar, porque tinha sido um grande banquete, e ela estava perto da porta. Aconteceu que Poros, embriagado de néctar, dado que ainda não havia vinho, entrou nos jardins de Zeus e, pesado como estava, adormeceu. Pínia, então, pela carência em que se encontrava de tudo o que tem Poros, e cogitando ter um filho de Poros, dormiu com ele e concebeu Eros. Por isso, Eros tornou-se seguidor e ministro de Afrodite, porque foi gerado durante as suas festas natalícias; e também era por natureza amante da beleza, porque Afrodite também era bela.

Pois que Eros é filho de Pínia e Poros, eis qual é a sua condição. É sempre pobre não é de maneira alguma delicado e belo como geralmente se crê; mas sujo, hirsuto, descalço, sem teto. Deita-se sempre por terra e não possui nada para cobrir-se, descansa dormindo ao ar livre sob as estrelas, nos caminhos e junto às portas. Enfim, mostra claramente a natureza da sua mãe, andando sempre acompanhado da pobreza. Ao invés, da parte do pai, Eros está sempre à espreita dos belos de corpo e de alma, com sagazes ardis. É corajoso, audaz e constante. Eros é um caçador temível, astucioso, sempre armando intrigas. Gosta de invenções e é cheio de expediente para consegui-las. É filósofo o tempo todo, encantador poderoso, fazedor de filtros, sofista. Sua natureza não é nem mortal nem imortal; no mesmo dia, em um momento, quando tudo lhe sucede bem, floresce bem vivo e, no momento seguinte, morre; mas depois retorna à vida, graças à natureza paterna. Mas tudo o que consegue pouco a pouco sempre lhe foge das mãos.

Em suma, Eros nunca é totalmente pobre nem totalmente rico.”

Penia é a personificação da pobreza, da carência. Etimologicamente provém de um verbo que significa “afligir-se”, “trabalhar por necessidade”, “esforçar-se com” e posteriormente também agrega os sentidos de “estar em dificuldade”, “ser pobre”. Penia em sua miséria ao ver Poros embriagado e adormecido desejou ter um filho com ele. Deitou-se ao seu lado e concebeu Eros.

Eros trará consigo as marcas dessa dupla gênese. De sua mãe Penia, cuja pobreza a define como eterna mendicante, ele herdará uma falta congênita e se esforçará sempre para obter aquilo que não tem, ou seja, vive sob o emblema de uma carência jamais preenchida, mas que se esforçará por compensar. Para isso herdou de seu pai Poros a astúcia e o expediente necessários para tentar conseguir aquilo que não possui.

Tratamos aqui da perda do “objeto” que nunca possuímos mas que buscamos eternamente. Um objeto desejado pelo sujeito que não o tem, que o completa e que o quer para si. E o mais interessante é que estamos tratando de uma carência, de uma perda onde o sujeito age com toda a astúcia para conseguir.

A perda da qual estamos tratando, trata-se do gozo total. Este gozo total pertenceria ao desejo pela mãe, interditado e castrado simbolicamente na estruturação do Édipo quando a criança desiste da mãe, da relação incestuosa com essa mulher que “pertence” ao Pai e que lhe é interditada pela Lei do Pai. Essa instância de interdição – o tabu do incesto – é introjetada simbolicamente pela criança como uma forma de castração e, imediatamente, esse interdito que tem raízes antropológicas passa a ser denominado de “O Nome-do-Pai”.

Ao introjetar essa Lei do Pai que proíbe o incesto com a mãe – seu objeto primário de desejo, de gozo total – a criança agora se inscreve na ordem cultural que emana desse Nome-do-Pai. Leis normativas que o definirão como um ser social que aceitou essa castração para se inserir na ordem da cultura e a quem faltará para sempre esse falo simbólico ao qual, miticamente, todas as fêmeas pertenceram um dia e que, agora, pertence ao pai que lhe interdita e o castra com relação à mãe e cujas funções ele procurará recuperar parcialmente por meio de “objetos” metonímicos. O falo neste contexto será sempre o significante de uma falta. Nesse sentido é que podemos entender que a “relação sexual não existe”. Realmente, como “relação total”, como recuperação de um “gozo total”, esta relação estará para sempre interditada ao masculino. Aqui a mulher se apresenta, radicalmente, como um “inteiramente outro” para o homem ao qual ele não teria acesso, uma vez que ela não participa dessa síndrome da castração original, não precisou introjetar uma perda simbólica abissal para se constituir como sujeito.

Assim, ouso dizer que o homem jamais chegará perto de uma mulher. Perto demais do feminino é sempre muito longeeros2 para o masculino. Eros nunca preencherá essa carência, seus objetos de desejo sempre lhe escaparão por algum furo, por algum vazio, por mais astúcia que utilize em sua captura. Somos seres desejantes destinados a incompletude, e é isso que nos faz caminhar. Temos esta carência do pequeno deus Eros pela voz de Sócrates quando retomou o tema do amor nos seus seminários. Perto demais do desejo é sempre longe demais. A mulher real é inatingível para o homem.

Nesta busca incessante, o homem, o sujeito, estará sempre a procura de seu objeto utilizando de toda a astúcia para conquistá-lo, nunca estando satisfeito e buscando sempre mais e mais. Mesmo que se dedique a um só objeto, dado o mistério e a impenetrabilidade que este mesmo objeto representa para ele, representará, metafóricamente, uma nova descoberta a cada vã tentativa de possuí-lo.

Fonte dePesquisas:

  • Wikipedia
  • Revista Filosofia
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From → Sociedade

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