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O desafio da quebra do paradigma

07/25/2009
Talvez a maneira mais forte de definir o conceito de paradigma seja dizer que ele representa os conteúdos de uma visão de mundo. Isso significa que as pessoas que agem de acordo com os axiomas de um paradigma estão unidas, identificadas ou simplesmente em consenso sobre uma maneira de entender, de perceber, de agir, a respeito do mundo.
Os que partilham de um determinado paradigma aceitam a descrição de mundo que lhes é oferecida sem criticar os fundamentos íntimos de tal descrição. Isto significa que o olhar deles está estruturado de maneira a perceber só uma determinada constelação de fatos e relações entre esses fatos. Qualquer coisa que não seja coerente com tal descrição passa desapercebida; é vista como elemento marginal ou sem importância.
Quer um exemplo? Até alguns anos atrás energia elétrica não era problema para o Brasil nem para os brasileiros. A única coisa que um cidadão comum sabia sobre o assunto era que ligando o interruptor da sala, a luz acendia. Vivíamos com a idéia de que a natureza nos forneceria energia para sempre. A natureza era vista, então, com um grande supermercado cujas mercadorias nunca acabariam. Bastava pegar um pouco de energia na prateleira e pagar por ela. Se precisássemos de mais, bastava pegar e pagar. Este era o paradigma que orientava nossa visão de mundo com relação ao consumo de energia, e ninguém imaginava que pudesse ser diferente. Neste cenário, ninguém dava importância, por exemplo, para lâmpadas mais econômicas, ou para banhos de chuveiro mais curtos, ou para aquecedores solares. Eles existiam, mas não eram vistos como importantes, pois o nosso paradigma os descartava. Não precisávamos deles. De repente, tudo mudou. Surgiu o risco de um apagão. Descobrimos que estávamos enganados, e que a energia é finita. Se não soubermos trabalhar adequadamente com a natureza, ficaremos sem energia. Isso significou uma mudança em alguns de nossos paradigmas, e, de uma hora para a outra, as lâmpadas econômicas sumiram dos supermercados. Todo mundo queria comprá-las, todos foram atrás de aquecedores solares e começaram a contar os minutos do banho no chuveiro. O que aconteceu? O mundo mudou? Não, mas o paradigma que o descrevia sim. Da descrição de um mundo com energia infinita, passamos a uma outra descrição. Mudaram nossos paradigmas. (Texto extraido do sito da Universidade Católica de Brasília – Programa de Comunicação Social).
Um outro exemplo são os das pessoas que viveram durante a ditadura militar, principalmente em alguns grandes centros onde a imprensa ou era controlada pelos militares ou colaboravam com ela (como foi o caso das Organizações Globo, já que Roberto Marinho, então seu diretor, foi um dos empresários que apoiou o golpe militar) terminaram por acatar determinados paradigmas que persistem até hoje, como por exemplo:
  1. Sindicalistas são baderneiros anarquistas.
  2. Os socialistas irão tomar posse de toda propriedade privada.
  3. Nordestinos, negros e favelados são ignorantes sem capacidade intelectual.
  4. Imprensa ética defende os interesses liberais e “democráticos” do empresariado o resto é imprensa marrom.
O final da ditadura militar, trouxe os exilados alguns deles com direitos políticos cassados. Uns se aliaram ao poder constituido. Outros não. Podemos citar como exemplo dos que não se aliaram, Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e Miguel Arraes. Como exemplo dos aliados temos Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Estes últimos optaram por uma via que se relacionava com aqueles que não foram exilados e permaneceram na militância política. Alguns na situação e outros na oposição.
A eleição indireta que marcou o final do período militar, tinha duas facções: uma coalisão de alguns membros da situação com alguns membros da oposição chamda de Frente Liberal, que apresentou como um dos candidatos à presidêncica da república o representante da oposição Tancredo Neves que, curiosamente, tinha como vice, um representante que fora presidente da Arena e do PDS que agora passara para este movimento: José Sarney. De outro lado, Paulo Maluf era o candidato do PDS. O resto da história a gente sabe.
Uma dissidência do PMDB formou o PSDB em oposição a José Sarney. As Organizações Globo apoiaram Fernando Collor de Mello, mas não deu certo. O PSDB foi o novo eleito com Fernando Henrique Cardoso, então ministro do vice do Collor, Itamar Franco, que instituiu o Plano Real. Como vemos, houve uma “transição” suave e tranqüila do poder (como previra Figueiredo e os militares). Isto garantiu que os crimes cometidos no governo militar não fossem sequer investigados. E manteve os paradigmas.
Com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, muitos esperavam que houvesse uma guinada e que, finalmente fossem investigados todas as ações suspeitas e crimes cometidos no período militar e que, finalmente, quebrássemos os paradigmas. Mas isto não aconteceu e Lula deixou que fossem afastos ou imobilizados seus mais “perniciosos asseclas”, como Heloisa Helena, José Dirceu, José Genuino, e outros subversivos. Não aconteceu mas Lula está enquadrado, ainda hoje, como subversivo já que contraria a ordem natural do poder. Desta forma, manteve-se o paradigma enquadrando-o como subversivo até que o poder seja passado a um “estadista confiável”, paulista e ilustre como foi Fernando Henrique Cardoso (embora nascido no Rio de Janeiro).
O dificil, para a sociedade brasielira e em particular paulista, é a quebra destes paradigmas que prejudicam o Brasil, São Paulo e o povo brasileiro. Mas confio que ainda vou ver estes paradigmas quebrados.
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