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FUROS JORNALÍSTICOS E PAPOS FURADOS

07/10/2009
Não é a primeira vez que a imprensa publica um furo que se torna um papo furado. Ontem foi publicada reportagem ligando José Sarney à Petrobrás.

A leitura que pessoas ignorantes como eu fez do episódio: a diretoria da Petrobrás composta de sindicalistas subversivos (que coisa mais ultrapassada!) pegou dinheiro da empresa e doou à Fundaçao José Sarney. Logo, tando a fundação quanto a empresa, macumunadas, doaram dinheiro ao presidente do senado. Reitero que esta foi a leitura que eu, ignorante que sou, fiz do episódio.

A oposição demotucana reverberou à vontade. Baseados nos “fatos” publicados, queriam a deposição imediata do presidente do senado e uma ação eficaz contra a Petrobrás, que, na opinião deles (acho) deveria há muito tempo ter sido privatizada como o foi a Vale do Rio Doce, por exemplo. Artur Virgílio, líder do PSDB já solicitou que o MP investigasse a Petrobrás e aditou o “fato” à denúncias feitas anteriormente ao TCU e ao MPF já que, conforme publicação, a Petrobrás “teria repassado as verbas a empresas fantasmas para um projeto que nunca saiu do papel” (O Estado de São Paulo 09/07/2009). Aida bem que a notícia foi publicada no fututo do pretérito diminuindo o comprometimento por ser um modo condicional. Mas português não é a praia dos políticos quando lhes convém.

Houve reação imediata da Petrobrás, da Fundação José Sarney e de outros setores esclarecendo que houve sim um patrocínio e que, cumpridas todas as exigências contratuais estabelecidos em Lei, foram liberados os reursos, cabendo a fiscalização ao Ministério da Cultura. Os livros da biblioteca existem. Os recursos aplicados em empresas da família José Sarney foram para publicação do evento.

Hoje a imprensa muda o foco: Sarney “utilizou o cargo para ajudar o museu da fundação” (Folha de São Paulo 10/07/2009). Qual a notícia verídica: a de ontem, a de hoje ou será a de amanhã?

Pessoalmente tenho certeza que houve uma série de ações antiéticas. Isto é praxe dos políticos de qualquer partido em minha opinião pessoal. Entretanto a primeira publicação deveria ter se baseado em fatos, já que o jornal que publicou a matéria tem recursos para investigar antes e publicar depois mas fez exatamente ao contrário. Isto deixa dúvidas sobre toda a veracidade dos “fatos” nos quais se baseiam a oposição (anterior, atual e futura) para instaurar CPI’s que, via de regra, acabam por não dar em nada no momento em que fica demonstrando que são todos farinha do mesmo saco e que estão todos envolvidos.

Pergunta que não quer calar: a primeira publicação foi feita para economizar dinheiro da investigação ou foi para jogar farinha no ventilador (farinha?!) ensejando a reação dos diligentes senadores da oposição defensores da Lei e dos bons costumes?

Independente dos furos (nos dois sentidos: furo jornalístico e papo furado, notícia sem fundamento) da imprensa, acredito na evolução ética. Passo a passo, são criados mecanismos para que tenhamos mais ética na medida em que a oposição acaba criando Leis que coibem a ação antiética da situação. Depois a situação vira oposição e vice versa e novas Leis são criadas aperfeiçoando nosso sistema político. Nisto reside a grandeza da democracia: a constante evolução. Sou mesmo um otimista. E daí?
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