Invasão e posse – é preciso investigação
Foi amplamente noticiada a invasão da fazenda Capim pelo MST, que derrubou pés de laranja da empresa Cutrale, que ocupa a área com cultura de laranjas. Um ato de vandalismo que não se justifica, já que significa a apropriação de cultura efetuada por terceiros e que provoca indignação do povo brasileiro que desaprova tais ações.
O centro administrativo do referido Núcleo Colonial perdeu sua vocação agrícola e passou a ter destinação urbana, recebendo o nome de Iaras e tornando-se Distrito do Município de Águas de Santa Bárbara, sendo que, recentemente, Iaras foi emancipada politicamente e tornou-se município. Assim, parte das terras remanescentes do Núcleo Colonial Monções tornou-se urbana.
Porém, a grande maioria das terras continuaram a ter vocação agrícola e atualmente estão na posse de particulares, entre eles a Cutrale, poderosa empresa que se dedica ao cultivo e processamento de laranjas, acusada pelo MST de grilagem.
A Lei n.º 8.629 de 25 de fevereiro de 1993, estabelece em seu art. 13:
“Art. 13 – As terras rurais de domínio da União, dos Estados e dos Municípios ficam destinadas, preferencialmente, à execução de planos de reforma agrária.
Parágrafo único – Excetuando-se as reservas indígenas e os parques, somente se admitirá a existência de imóveis rurais de propriedade pública, com objetivos diversos dos previstos neste artigo, se o poder público os explorar direta ou indiretamente para pesquisa, experimentação, demonstração e fomento de atividades relativas ao desenvolvimento da agricultura, pecuária, preservação ecológica, área de segurança, treinamento militar, educação de todo tipo, readequação social e defesa nacional”.
Realmente, se há ilegalidade, deve ser resolvido tudo nos tribunais e não com violência. O protesto não pode colocar em risco pessoas e propriedades.
Parabéns pelo post.
Abs.
Obrigado pelo teu comentário.
Interessante a nota da Comissão Pastoral da Terra sobre o assunto, disponível em http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=8&id_noticia=117182
Em suma, a nota diz que:
1º As terras são de propriedade da União (mesmo que sejam do estado, são terras devolutas).
2º A ação ocorreu dia 28/9, mas, após o fracasso da CPMI contra o MST, a notícia foi requentada para criar um clima favorável à instalação da comissão.
3º Os pés de laranja foram derrubados para se cultivarem plantas destinadas à subsistência (cuja produção é uma das bandeiras do movimento)
Acredito ser possível ter um outro olhar sobre essa questão.
Não aprovo a destruição de propriedade de ninguém.
Acredito que o MST não teve domínio sobre a situação e acabou permitindo, na invasão, destruição de bens que não lhes pertencia e agora terão que responder na justiça por isso.
Entretanto existe muita grilagem e isto também deveria ser investigado.
Por que não aproveitar a tal CPI dos demotucanos para investigar as grilagens?
Obrigado pelo comentário.
Mas, nesse caso se pode dizer que não teria havido destruição de propriedade, pois a Cutrale não é dona daquelas terras. É a visão defendida pela CPT. Eu modestamente acho que, fora as questões de princípios, foi um grande equívoco de propaganda, pois deu a deixa para se fazer mais essa campanha contra o MST (ou prolongar a campanha anterior à tentativa de CPI, na verdade).
Certamente, caso venha a existir essa CPI, os governistas vão ter que procurar conduzi-la para a investigação da grilagem. Esse, aliás, é um problema de longuíssima data no campo brasileiro.
Leandro, não me refiro aos pés de laranja (o que já seria ruim) me refiro aos tratores que foram depredados…
Não podemos ignorar que dominar 250 famílias é difícil, mas uma empreitada destas devem ser bem coordenadas.
Nesse caso, sim, é um problema real e que deve ser enfrentado pelo próprio movimento. Mas, como você falou, dominar 250 famílias é difícil, ainda mais no estado de ânimos a que certamente chegam num momento desses.
É complicado… Por outro lado, temos que reconhecer que a ação no Ministério Público está parada e o Congresso, conforme você disse, tenta de qualquer forma desarticular o movimento. Era preciso fazer alguma coisa, mas faltou coordenação na ação, que acabou desandando…